
A Associação dos Municípios do Vale do Paranhana (Ampara) prepara uma nova etapa de mobilização contra o projeto de concessão de rodovias do Bloco 1 do governo do Estado, que prevê a implantação do sistema de pedágio eletrônico por fluxo livre (freeflow) em diversas estradas da região. A proposta inclui a instalação de múltiplos pórticos de cobrança que, segundo a entidade, tornarão inviável o deslocamento entre as cidades da região sem o pagamento de tarifas.
Em entrevista ao programa Painel da Rádio Taquara, o presidente da Ampara e prefeito de Igrejinha, Leandro Horlle, afirmou que, com o término do recesso de fim de ano, o tema será retomado com prioridade. “Nós já enviamos ofícios em novembro e dezembro solicitando audiência com o governador Eduardo Leite, mas ainda não fomos atendidos. Queremos externar pessoalmente nossas preocupações porque há aspectos do projeto que só podem ser alterados com a decisão direta do governador”, destacou.
De acordo com Horlle, todas as cidades do Vale do Paranhana – Igrejinha, Três Coroas, Taquara, Rolante, Riozinho e Parobé – seriam obrigadas a passar por pelo menos dois pedágios para acessar outras regiões do Estado. Em alguns casos, o trajeto pode incluir até quatro pontos de cobrança. “Isso é inaceitável. Nossa população será onerada por 30 anos, e ainda sem garantias de obras estruturantes esperadas há décadas, como viadutos na ERS-239”, criticou.
A principal queixa dos prefeitos é quanto à ausência de contrapartidas no projeto. Segundo Horlle, o modelo atual não prevê intervenções fundamentais para a segurança viária, como a construção de viadutos na ERS-239, rodovia que concentra elevado número de acidentes fatais. O prefeito também denunciou que, além da tarifa elevada e da quantidade de pontos de cobrança, alguns trechos de rodovias em outras regiões do Estado não teriam qualquer tipo de pedágio.
Diante da gravidade do tema, a Ampara pretende intensificar as articulações a partir de fevereiro, com nova tentativa de audiência e possível mobilização institucional. “O projeto precisa ser revisto antes da publicação do edital. Depois disso, qualquer alteração se torna praticamente inviável”, alertou Horlle.


