
Do “Meu cinicário” – Como julgar cozinheiros, se o quitute em questão é polvo ou miolos? Os resultados são, absolutamente, pessoais. Nojentamente, pessoais!
NAMORADOS
Penso que meus leitores dificilmente conseguiriam imaginar-me um sujeito romântico. Pois aí é que eles se enganam redondamente. E, provando esse meu romantismo, em homenagem ao Dia dos Namorados, selecionei três poemas de minha lavra para presentear-lhes (claro: espero que considerem um presente). Embora apareçam, aqui, dando a impressão de uma sequência, foram escritos em épocas bem distintas, cobrindo mais de meio século.
OLINDA
Olinda – primeiro beijo! –
acendeu o meu desejo,
mas nunca me deu ensejo
de tomar aquilo que vejo,
que amo, que quero, que almejo.
Olinda, perfume de flor!,
que tem um sorriso de dor,
vou lembrar aonde for,
dos lábios o gosto e a cor,
meu primeiro beijo de amor.
MODINHA
Se pensas
que já te esqueci,
terás a surpresa
de saber que não.
Que aquele amor,
outrora ativo,
hoje um tanto esquivo,
aqui, me enche
o coração.
Se imaginas
que já não lembro
daqueles dias
que longe vão,
saberás que o amor,
outrora altivo,
hoje continua vivo
e me, ainda, queima
o coração.
MEDIEVAL
– M’amas?
– Sim, t’amo.
– Quanto m’amas?
– T’amo tanto quanto m’amo.
Só m’amando como m’amo
é que poderia t’amar como t’amo!
Se não m’amasse, não t’amaria.
E sei que m’amas igual que t’amo.
T’amar e tão fundamental quanto m’amar.
T’amar me dá grande alegria;
t’amar é deleite puro.
Um dia, a vida ao fim,
já próximo do grande escuro,
serei feliz mesmo assim.
Cantarei ao mundo que m’amei;
que m’amaste gritarei às gentes.
E todos, então, d’amor contentes,
dirão aos céus: “Eles s’amaram! Eles s’amarão eternamente!”
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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