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Esta postagem foi publicada em 14 de junho de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Namorados, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Como julgar cozinheiros, se o quitute em questão é polvo ou miolos? Os resultados são, absolutamente, pessoais. Nojentamente, pessoais!

NAMORADOS

Penso que meus leitores dificilmente conseguiriam imaginar-me um sujeito romântico. Pois aí é que eles se enganam redondamente. E, provando esse meu romantismo, em homenagem ao Dia dos Namorados, selecionei três poemas de minha lavra para presentear-lhes (claro: espero que considerem um presente). Embora apareçam, aqui, dando a impressão de uma sequência, foram escritos em épocas bem distintas, cobrindo mais de meio século.

OLINDA

Olinda – primeiro beijo! –

acendeu o meu desejo,

mas nunca me deu ensejo

de tomar aquilo que vejo,

que amo, que quero, que almejo.

Olinda, perfume de flor!,

que tem um sorriso de dor,

vou lembrar aonde for,

dos lábios o gosto e a cor,

meu primeiro beijo de amor.

MODINHA

Se pensas

que já te esqueci,

terás a surpresa

de saber que não.

Que aquele amor,

outrora ativo,

hoje um tanto esquivo,

aqui, me enche

o coração.

Se imaginas

que já não lembro

daqueles dias

que longe vão,

saberás que o amor,

outrora altivo,

hoje continua vivo

e me, ainda, queima

o coração.          

MEDIEVAL

– M’amas?

– Sim, t’amo.

– Quanto m’amas?

– T’amo tanto quanto m’amo.

Só m’amando como m’amo

é que poderia t’amar como t’amo!

Se não m’amasse, não t’amaria.

E sei que m’amas igual que t’amo.

T’amar e tão fundamental quanto m’amar.

T’amar me dá grande alegria;

t’amar é deleite puro.

Um dia, a vida ao fim,

já próximo do grande escuro,

serei feliz mesmo assim.

Cantarei ao mundo que m’amei;

que m’amaste gritarei às gentes.

E todos, então, d’amor contentes,

dirão aos céus: “Eles s’amaram! Eles s’amarão eternamente!”

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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