
Na manhã desta segunda-feira (16), Nicole Machado, investigada pela morte de Micael Douglas Müller, de 28 anos, em Igrejinha, divulgou um vídeo à imprensa para apresentar sua versão dos fatos. O caso, ocorrido na madrugada do dia 10 de junho, gerou grande comoção na cidade e tem sido alvo de intensos questionamentos. A jovem responde ao processo em liberdade, enquanto as investigações seguem a cargo da Delegacia de Polícia de Igrejinha.
Com cerca de quatro minutos de duração, o vídeo traz Nicole emocionada e afirmando ter agido em legítima defesa. Segundo ela, o relacionamento com Micael durou cerca de um ano e três meses, com idas e vindas marcadas por agressões, ameaças e controle. “Ele me humilhava, me chamava de gorda, vagabunda”, disse Nicole, relatando que tentou encerrar a relação diversas vezes, mas era convencida a reatar mediante promessas de mudança.
A investigada afirma que Micael usava drogas e anabolizantes, o que, segundo ela, o deixava mais agressivo e ciumento. Nicole relatou que chegou a registrar boletim de ocorrência contra ele e obteve medida protetiva. No entanto, no dia do crime, decidiu encontrá-lo após insistência dele. “Ele queria comer pinhão, levei a panela e os pinhões. Passamos a tarde juntos, e depois ele me chamou novamente à noite”.
De acordo com o relato, após ingerirem vinho na casa de Micael, ele teria apresentado um comportamento estranho, fumado maconha e passado a agir com agressividade. Nicole afirma que foi trancada dentro da residência, teve o celular tomado e foi agredida com tapas, cabeçadas e sufocamento. “Ele disse que ia divulgar minhas fotos íntimas [conforme sustenta a sua defesa] e que nós íamos morrer juntos. Peguei a faca que estava embaixo do travesseiro dele e me salvei”.
Nicole rebate a acusação de ter trancado a casa, alegando que foi Micael quem escondeu a chave e que ela precisou pular uma janela para sair. Também negou ter roubado objetos, como acusam familiares da vítima. “A única coisa que levei foi o celular, com medo de vazar minhas fotos. Não roubei nada”, afirmou. Ela declarou ter procurado a polícia na manhã seguinte para relatar os fatos e entregou voluntariamente o celular à investigação.
Ao final do vídeo, Nicole se dirigiu à família de Micael: “Sei que eles sentem uma dor imensa. Eu também estou destruída. Eu jamais quis causar isso. Mas naquele instante, era eu reagir ou não estaria aqui”.
A Polícia Civil segue investigando o caso e analisando as versões apresentadas por ambas as partes, além de imagens de câmeras de segurança e outros elementos periciais. Enquanto isso, a repercussão do vídeo aumenta o debate em torno da tragédia e das circunstâncias que levaram à morte de Micael Müller.


