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Esta postagem foi publicada em 28 de maio de 2021 e está arquivada em Informática.

Nintendo Game Builder Garage e o novo perfil dos jogos que ensinam, por Guilherme da Costa

Nintendo Game Builder Garage e o novo perfil dos jogos que ensinam

No início de Maio a Nintendo, a famosa empresa por trás de Super Mario, Zelda, Metroid e muitos outros clássicos dos videogames, lançou um trailer de um jogo onde o objetivo é criar outros jogos chamado Game Builder Garage. A empresa surfa na onda recente de jogos que ensinam algum conteúdo de forma mais lúdica e com menos cara de software educativo. Como falei em outras colunas, jogos educacionais não são algo recente, basta lembrar que Oregon Trail, um dos jogos mais utilizados em escolas nos EUA foi publicado originalmente em 1971, antes mesmo da primeira onda dos computadores pessoais. Durante os anos 1980 e 1990, tivemos a real primeira onda de jogos educacionais onde os mesmos começaram a surgir em grande número tanto nos computadores quanto em videogames. Nessa primeira onda, a própria Nintendo se uniu a Software Toolworks para desenvolver uma série de jogos educacionais que até hoje são relembrados por game designers e estudados sobre como NÃO criar jogos educacionais devido a sua qualidade duvidosa. Para não culpar a Nintendo por ter se metido nessa enrascada, podemos dizer que diversas empresas correram para produzir jogos educacionais e vender para escolas e secretarias de educação ao redor do mundo. Existia um interesse em começar a utilizar computadores em sala de aula, mesmo que os professores não soubessem nem utilizar um projetor. Com o tempo, a onda de jogos educacionais deu espaço a softwares mais focados e a parte do lúdico foi deixada de lado.

Nos anos 2000, a nova onda de desenvolvedores independentes de jogos em união com o apoio ao ensino de programação em diversas partes do mundo criou um novo fenômeno, os jogos indie (independentes) que ensinam. Esses jogos partem da premissa de que vários desenvolvedores veem jogos como uma forma de expressão e disseminação de informação e conhecimento. Hoje podemos encontrar títulos que colocam o jogador dentro de histórias clássicas da literatura ou participando de momentos históricos, antes só observados em livros ou filmes. Jogos tem o papel de colocar o jogador em papel ativo dentro da história, fazendo parte de um mundo e sentindo os resultados de suas escolhas, o que torna a experiência muito mais íntima, fazendo com que o jogador aprenda detalhes e se interesse ainda mais pelo conteúdo do jogo. Ao mesmo tempo, jogos focados em conteúdos de ciências exatas, algo que sempre foi complexo de ser desenvolvido, começam a surgir em união com jogos do tipo maker. Esse tipo de jogo, que na realidade ficam sobre uma linha entre software aplicativo e jogo digital, sempre foram vistos como jogo de nicho, para jogadores que tinha interesse de criar seus próprios jogos e brincadeiras com ferramentas disponíveis no jogo/aplicativo. Adicione uma pitada de roteiro e uma apresentação interessante e teremos o perfil dos jogos educativos ou jogos que ensinam, porque muitas vezes o foco do jogo não é ensinar, mas o jogador precisará aprender algo para conseguir progredir. É uma aposta arriscada, mas parece fazer sucesso, já que o estilo segue crescendo e ganhando jogos produzidos por grandes empresas, cono Sony e Nintendo.

Ainda não sabemos se o título da Nintendo fará sucesso, mas é possível dizer que ter a marca Nintendo ajuda muito nas vendas, basta lembrar dos bons resultados do Nintendo Labo, o laboratório de criações com papelão e com o Nintendo Switch teve vendas superiores a 1 milhão de cópias no primeiro ano de lançamento. Com o Garage Game Builder a Nintendo tenta se aproximar de Dreams, lançado pela Sony em 2020 e que se tornou um título cult. Ambos jogos permitem a criação de novos jogos, utilizando adaptações de linguagens de programação simplificados. Ambos estão a um passo de complexidade do Roblox, jogo que tem feito sucesso no mundo e que também apresenta um sistema de produção de jogos.

Espero que outros jogos sigam essa linha e que em breve sejamos capazes de aprender conteúdos complexos através de jogos interessantes.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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