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Esta postagem foi publicada em 28 de outubro de 2011 e está arquivada em Penso, logo insisto.

No súper

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Na escola, carga horária coreano-japonesa sem a postura coreano-japonesa? Definitivamente, alguém, lá em cima, enlouqueceu!

No súper

Gosto de ir aos supermercados. Como e é uma obrigação por questão de sobrevivência, vamos lá! Não me incomodo; é uma alegre reunião. Devo admitir, como em toda a festa, também nesta existe uma ocasião tensa e estressante. É o momento em que se distinguem os homens dos meninos: a passagem pelo caixa exige muita coragem e determinação. Porém, tenho aguentado os embates da registradora, embora com visíveis danos à minha paz financeira.
Nessas incursões, quase sempre vou acompanhado de minha esposa. Ela entende mais das compras domésticas. Nas carnes, então, estou pra ver um sujeito mais tapado que eu. Isto que meu avô tinha açougue em Porto Alegre, onde meu pai trabalhava quando adolescente. Não segui a tradição da família e nem aprendi nada do ofício de magarefe.
Um dos meus passeios de fim de semana, por exemplo, é ir às cidades da região para caminhar pelas ruas. Aproveito as viagens para realizar o abastecimento do lar. Gramado, Canela, São Francisco, Sapiranga, Rolante, Santo Antônio, Igrejinha, Três Coroas, sem esquecer Parobé, fazem parte do meu roteiro turístico-supermercadista. E em todas as lojas visitadas, tenho encontrado situações típicas, protagonizadas por figuras a quem chamo de “chatos de supermercado”.
Para começar, como convencer uma criança que toda aquela abundância, verdadeira terra encantada de doces, salgadinhos, refrigerantes, brinquedos e revistas não pode ser desfrutada livremente? É querer demais. Uma criança vê e deseja. E, se deseja e não é atendida, chora. Não! “Chorar” é um eufemismo para os sons produzidos. “Grita”, “esbraveja”, “berra”, “ulula” ficam melhores. Sempre resta uma mãe envergonhada.
Outra turma, apesar dos avisos escritos e sonoros proibindo, age como as crianças quando se trata de abrir embalagens para comer e beber no interior do estabelecimento. Com a desculpa de que vão pagar depois, contrariam as regras vigentes no local. Aliás, contrariar o estabelecido parece tornar as pessoas mais senhoras de si. Pergunto: como pode um país funcionar direito sem regras?
Falando em regras, mais uma quebra: a fila preferencial de atendimento. Por determinação legal há pessoas que têm caixas reservadas a elas. Não importam os critérios que qualificam alguém a receber essa benesse, existe a lei. Logo…! É bem comum ver alguém na transgressão.
Em todos os casos citados, há conivência das empresas, claro! O cumprimento das regras não é cobrado por elas. Os gerentes não interpelam clientes transgressores com medo de perdê-los. Assim, não adiantam avisos.
Finalmente, da lista, os mais incômodos. Muitos, de bom grado, resolvem ajudar alguma instituição. Certo, cada um sabe seu caminho até o paraíso, mas o problema começa quando essa turma decide que outros também devem trilhar o mesmo caminho e ficam na entrada do supermercado, pedindo doações para sua causa. Se você não colabora, é olhado como se tivesse feito algo demoníaco. As lojas permitem a situação para poder vender mais.
Encontrar cada um dos tipos é um incômodo constrangedor. Pois num domingo desses, encontrei os quatro na mesma visita. Foi dose!

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