Educação

No universo científico: 3ª FEMICTA reúne mais de cem pesquisas e oficinas

Todas as redes de ensino do município estão presentes no evento

Um evento repleto de conteúdo, cores, texturas, formatos e experiências. Olhos atentos, mãos que gesticulam e procuram apoiar discursos, baseados em pesquisas e dedicação. Esta é apenas uma pequena descrição do ambiente criado na 3ª Feira Municipal de Alfabetização e Iniciação Científica da Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (FEMICTA). O evento, que acontece no ginásio do Colégio Municipal Theóphilo Sauer, iniciou na quinta-feira (27) e encerrou nesta sexta-feira (28), após a premiação que ocorreu no final da tarde.

A engenharia do ensino taquerense

FEMICTA 2018 reúne 114 projetos e 16 oficinas, com trabalhos das redes de ensino municipal, estadual e particular. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.
Alunos aproveitaram para registrar a participação na Feira. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Conforme Sabrina Amaral, coordenadora da Educação Ambiental e da Educação Científica Municipal, a feira de 2018 é resultado de um trabalho iniciado há cerca de três anos. Uma verdadeira engenharia, que teve como foco aplicar a metodologia científica, comumente trabalhada apenas no ensino superior, já no ensino fundamental taquarense, iniciando pela educação infantil. “Nos mobilizamos, no começo, para trabalhar com o método científico na Educação Ambiental. Depois, estendemos a abordagem também às salas de aula em geral. Buscamos capacitação para os professores e, aos poucos, tudo começou a funcionar dentro do novo planejamento”, explicou Sabrina.

A coordenadora destacou que, para atingir resultados satisfatórios, a Secretaria Municipal de Educação, Cultura Esportes (SMECE) desenvolveu o Programa Municipal de Educação Científica. E, por meio deste programa, organizou conteúdos próprios para cada nível de ensino. “Trabalhamos com três eixos: o de processos heurísticos (relacionado às descobertas dos nossos alunos bebês); alfabetização; e pesquisa científica (aplicado já com os anos finais). E agora já estamos trabalhando também um quarto eixo: o do professor pesquisador e professor orientador, afinal de contas, os alunos não trabalham sozinhos. Logo, o professor também precisa ser lembrado de uma forma diferenciada”, destacou ela.

O secretário da SMECE, Edmar Teixeira de Holanda, disse que a abordagem científica somou muitos resultados positivos ao ensino na cidade. Se disse privilegiado em poder contar com uma equipe tão dedicada.

“Com o método científico, nossos resultados não se resumem aos trabalhos finais, que já são algo muito expressivo. Mas traz resultado no ensino-aprendizagem. Os alunos fixam muito mais o conteúdo, há um engajamento sobre o conteúdo discutido em aula. O professor abre a possibilidade de construir uma nota pautada em assuntos que eles, os alunos propõem, têm interesse. Cria-se outro clima e alcança-se resultados muito melhores, sem contar que eles já saem com uma bagagem sólida para o ensino superior”, descreveu Holanda.

Resultados traduzidos em números

Segundo Sabrina, o empenho para aplicação do método científico nas escolas refletiu também no crescimento das mostras científicas municipais. Além disso, a Feira deste anos, engloba também as escolas estaduais e particulares. Todas foram visitadas e convidadas, segundo ela. “Saímos de duas mostras escolares para 17. Contabilizamos uma média de 1500 projetos inscritos. E dos 114 projetos classificados para a FEMICTA, apenas 10 não se encaixam na metodologia científica, isso porque abrimos o espaço para outras tipologias também”, explicou ela.

Dos assuntos trazidos à feira, a coordenadora disse que a temática da mulher é um dos destaques, além da ambiental. Dentro desta última, um dos projetos expostos retratou a metamorfose das borboletas. “O tema foi proposto pela própria turma (de 2,5 anos a 4 anos), durante um intervalo no pátio da escola. Nasceu o projeto “De lagarta à borboleta”. Coletamos os ovinhos das borboletas nas folhas de couve, na horta da escola. Depois acompanhamos todo o processo, desde o nascimento da lagarta – no nosso lagartário – passando pelo casulo, e, enfim, na transformação da borboleta”, explicou a professora orientadora do projeto, Karla Gonzaga, da EMEI Professora Vera Marks Iribarry.

Segundo ela, foi um desafio trabalhar com a metodologia científica para esta faixa etária. Porém, os resultados foram indescritíveis. “Foi uma experiência muito bacana. Tanto para eles, quanto para mim. Tenho certeza que nunca mais vamos esquecer. É muito diferente participar de um processo, desenvolver, do que simplesmente sentar com eles e contar uma história. O aprendizado é potencializado com o método científico”, declarou Karla, motivada. A professora também acrescentou que o projeto agora tem uma nova fase. “Encerramos o acompanhamento desta primeira fase, mas seguimos com a temática, aplicando o aprendizado sobre a “metamorfose das borboletas” ao crescimento humano. Estamos vendo que nós também fomos bebês, e estamos nos desenvolvendo. Está sendo incrível”, disse Karla.

“De lagarta à borboleta” foi o projeto que a professora Karla Gonzaga, da EMEI Professora Vera Marks Iribarry, trabalhou com os alunos do maternal. Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Dentro da temática “mulher”, um dos trabalhos expostos na Feira trouxe o título: “A importância do papel das mulheres na segunda guerra mundial”. Com a orientação do professor André Neves, as alunas Aline Gabriela da Silva, Gabriele Fernandes Alves, e Viviane Martins dos Santos, da Escola Zeferino Vicente Neves Filho, falaram da luta e das conquistas femininas, manifestando uma mensagem de igualdade de gênero. Confira mais detalhes, no vídeo abaixo.

Na FEMICTA, além dos projetos expostos, foram organizadas oficinas, contando com o apoio de parceiros como as Faculdades Integradas de Taquara, Corpo de Bombeiros de Taquara, e Feevale. No vídeo abaixo, detalhes da oficina Eureka.