Nada pode ser mais preventivo contra o HIV quanto o uso da camisinha. A segunda-feira desta semana foi marcada pelo Dia Mundial de Combate à AIDS. Dados do Boletim Epidemiológico HIV-Aids 2014, divulgado pelo Ministério da Saúde, mostram que o estado segue no topo do ranking de detecções do vírus. São cerca 41,3 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto que em nível nacional é de 20,4 por 100 mil.
Na região, de acordo com informações de vigilâncias em saúde, unidades sanitárias ou vigilâncias epidemiológicas, há mais de 1,1 mil registros de soropositivos. Nem todos vivem no Vale do Paranhana, mas fazem acompanhamento médico e tratamento aqui. Isto se deve, de acordo com a coordenadora da Vigilância em Saúde de Parobé, Marili Bitencourt, pelo preconceito existente aos portadores do HIV. “Eles têm medo de como serão tratados em sua comunidade, e ficam mais seguros buscando ajuda em outros municípios”, argumenta. Na cidade, são distribuídos cerca de quatro mil comprimidos dos antirretrovirais. O coquetel de medicamentos age no organismo paralisando o vírus, mas não o matando.
O HIV é o vírus causador da AIDS, como explica Marili. A coordenadora reforça que a principal porta de entrada do HIV no organismo é através de relações sexuais sem o uso de preservativo. Também pode ser pelo uso de materiais cortantes não esterilizados, compartilhamento de seringas, secreções, contato direto com sangue. O vírus entra na corrente sanguínea e começa a atingir as células linfócitos T-CD4 – responsáveis por defender o corpo de doenças. “O HIV não mata, ele enfraquece o organismo. Com a imunidade baixa, doenças como pneumonia, infecções, desidratação, desnutrição, se aproveitam e levam ao óbito os pacientes”, explica.
O segredo para ter qualidade e expectativa de vida com o vírus no organismo é seguir corretamente o tratamento médico, ter alimentação saudável e praticar exercícios. “Os soropositivos podem casar, ter filhos, viajar. Mas, claro, tendo os cuidados necessários, sem manter vícios e utilizando preservativo sempre”, garante Marili. Na cidade, são realizadas reuniões quinzenais com os portadores para tirar dúvidas e dar suporte a eles. Também são convidados amigos, vizinhos e familiares para tratar de assuntos como preconceito.
Em Parobé, são distribuídas, em média, 14,5 mil camisinhas mensalmente em toda a rede de saúde do município. Na região, este serviço também é disponível em postos de saúde e hospitais. “O uso de preservativo deve ser constante. Não importa se é casado ou solteiro, se tem ou não o vírus, a proteção é indispensável!”, alerta, contando que em casais soropositivos é necessário o uso de camisinha, já que pode haver diferentes cargas de vírus no organismo deles.
Confira onde fazer o exame rápido para identificar o HIV
O teste rápido identifica em poucos instantes a presença do HIV no organismo, através da coleta de uma pequena quantidade de sangue. Quase todas as cidades da região contam com este serviço para a detecção do vírus HIV, sífilis, hepatites B e C. Os atendimentos são gratuitos e realizados nas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s), sem agendamento ou necessidade de estar em jejum.
Em Taquara, o teste rápido pode ser feito na Vigilância em Saúde, no Centro, e nos postos de saúde dos bairros Eldorado, Mundo Novo e Empresa. Em Parobé, o exame é realizado na Vigilância em Saúde, no setor de Doenças Sexualmente Transmissíveis, e em todas as UBS’s, durante o horário de atendimento normal. De acordo com a coordenadora da Vigilância parobeense, Marili Bitencourt, são realizados mais de 300 testes mensais, com a expectativa de aumentar este número para 500 já nos próximos meses.
Em Igrejinha, o teste rápido é feito desde janeiro em todas as unidades de saúde da cidade. Até o ano passado, os diagnósticos eram realizados através de exames de sangue por laboratório. Cada posto tem um cronograma de atendimentos. No posto do Centro, acontece toda quinta-feira pela manhã. Na cidade de Riozinho, o teste rápido pode ser feito na Unidade Básica de Saúde do Centro, na rua 7 de setembro.
Em Rolante, ainda não há teste rápido para toda a população, apenas para a maternidade. A expectativa é de que este serviço seja implantado até o início do ano que vem, de acordo com a enfermeira coordenadora da Estratégia da Família, Gabriele Gonçalves. Atualmente, são realizados exames sorológicos, coletados todas as terças-feiras pela manhã, sem precisar de encaminhamento médico. A coleta é feita na unidade de saúde do Centro e o diagnóstico leva cerca de 20 dias para ficar concluído.


