Miscelânea

O ATENDIMENTO NO POSTO 24 HORAS

Recentemente tive a necessidade de frequentar o Posto 24 Horas de Taquara por diversas vezes. Acometida por crises de vesícula, muitas foram as noites em que precisei ir até lá para receber medicação na veia para aliviar as dores. Em menos de uma semana fui atendida por quatro médicos diferentes, sendo dois médicos e duas médicas, bem como por quatro enfermeiros diferentes, um enfermeiro e três enfermeiras. Em todas as vezes em que ali estive precisei de medicação via soro, o que fez com que eu ficasse no Posto por tempo suficiente para observar atentamente diversos outros atendimentos sendo realizados. Assim sendo, e após procurar conhecer um pouco mais sobre os dados dos atendimentos do 24, me sinto com conhecimento de causa suficiente para falar sobre o assunto.

Reza a lenda que pau que bate em Chico, bate em Francisco, e quem acompanha as minhas colunas sabe bem que não há status ou privilégio nas minhas observações e constatações e que busco sempre ser realista e verdadeira em meus escritos, doa a batida em quem doer – inclusive em mim. Mas quem espera que escreva fazendo críticas e desgosta da ideia de que as boas atitudes devam ser valorizadas, aviso de antemão que pode parar a leitura por aqui. Os que creem que o bom deve ser estimado, prossigam.

Não é raro vermos comentários negativos e críticas ao atendimento oferecido pelo 24 e por seus profissionais. Cada pessoa vivencia uma experiência sob seu ponto de vista e cada qual a transmite conforme sua percepção. Nesse sentido, utilizo o espaço desta coluna no dia de hoje para dividir com os leitores e as leitoras as minhas sinceras impressões sobre minha experiência – quase diária – no Posto 24 horas nos últimos dias.

Eu poderia iniciar falando sobre o tempo de espera, sobre o atendimento no balcão de recepção ou sobre o atendimento médico ou de enfermagem. Mas não vejo necessidade de ser tão específica, pois considero possível resumir as minhas impressões em um texto que não se torne demasiado extenso e nem que trate de cada aspecto em separado; posto que a minha impressão dos diversos aspectos que observei se assemelha. Assim sendo, destacarei apenas alguns pontos que me fizeram pensar sobre o assunto e escrever estas linhas.

Quando estamos com dor nosso tempo não corresponde ao tempo normal e sempre temos a impressão de que alguns minutos podem demorar tanto quanto horas. À parte nossas sensações temporais devido às nossas dores, o tempo de espera para o atendimento corresponde ao esperado em qualquer local que atenda diversas pessoas com os mais variados sintomas e doenças. Obviamente a gente sempre acha que poderia ser um pouco mais rápido e ágil, mas sejamos realistas: o Posto 24 horas atende os mais variados casos médicos e cada qual exige um tempo específico de atendimento que é determinado pelos profissionais e não pelos pacientes; há uma análise dos sintomas e sinais que determina o quadro clínico de cada paciente e sua prioridade no acesso ao atendimento médico. Quanto mais pessoas, maior a demora; quanto mais graves os casos atendidos, maior a demora. Tudo varia conforme a necessidade.

A pandemia de Covid, o aumento nos casos de dengue e os sintomas gripais e resfriados que vem acometendo a população e que tem se intensificado nos últimos meses também colaboram para o aumento da procura por atendimento nos postos, aumentando, por consequência, a demanda e o tempo de espera para acolhimento. No último mês a média de atendimentos por dia (24 horas) no Posto 24 foi de 250 pacientes. Atentem para este número: 250 atendimentos por dia. Guardem este dado e sempre que pensarem que o atendimento está demorado lembrem-se dele.

Em muitos locais do país – e em muitos países que não contam com um sistema de saúde público – sequer há atendimento 24 horas por dia como contamos em nosso município. Possuirmos um Posto aberto 24 horas por dia com 3 médicos durante o dia, 2 médicos das 19 às 22 horas e um médico de domingo a domingo durante a madrugada a postos para nos atender em caso de necessidade é um fato que deve ser destacado e reconhecido.

Quanto ao atendimento, da recepção, do pessoal da higienização, dos médicos e da enfermagem tenho que destacar positivamente a simpatia e a empatia com que fui tratada e com que vi os demais pacientes serem tratados. Obviamente algumas pessoas podem me dizer que não fazem mais que sua obrigação: atender bem ao público já que são servidores públicos. Mas não sejamos hipócritas, sabemos bem que muitos sequer isso fazem, ou o fazem com contrariedade e antipatia. Percebo que se foi o tempo em que caras fechadas e mau humor dominavam os corredores do 24 horas – salvo exceções; atualmente vivenciamos um tempo de semblantes harmônicos e de sorrisos – escondidos pelas máscaras – mas visíveis nos olhos e no cuidado dedicados aos pacientes.

 E como disse anteriormente, críticas e comentários negativos sempre existiram e seguirão existindo, porém me propus hoje a fazer o que não costumamos ver por aí: elogiar. Quando há erros e motivos para a crítica a faremos – não duvidem –, entretanto considero importante também que quando há motivos para aprovação, que seja também feito. Em defesa do SUS, sigamos lutando pelo reconhecimento de sua importância e de seus profissionais. Desse modo, sem me estender demais, quero nestas linhas agradecer aos profissionais do Posto 24 horas pelo bom atendimento oferecido à população e dizer que para além das críticas, há igualmente reconhecimento e afeto; assim como há paulada, há também carinho. Seja em Chico ou em Francisco.

Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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