Do “Meu livro de citações” – Funerária em frente de hospital tem toda a lógica do mundo. Mas que é desestimulante, isso é!
O COITADISMO
Na última crônica, provando o alto conteúdo cultural deste espaço, mencionei a filosofia do “coitadismo”. Não, não fui eu quem inventou o movimento ou o termo, embora inveje sobremaneira quem os tenha feito. Entretanto, posso dar-lhes um rápido panorama de seu surgimento e exemplos de sua presença entre nós. Mesmo por róbi, sou um historiador
O coitadismo é um subproduto das teorias ideológicas de esquerda. Arrisco, mesmo, a dizer que seu engendrador foi o próprio Karl Marx, pois a ideia é beneficiar os “coitadinhos” e ele se enquadrava perfeitamente no perfil. Isto, eu jamais poderia imaginar: ter inveja do Marx! Mas o mundo já deu tantas voltas desde que soube da existência dele, que sou forçado a reconhecer, o cara foi um experto (é, com “x”) ao puxar as brasas para o seu assado.
Essa coisa de proteger os desvalidos não era nova já no tempo de O Capital. Só para se ter uma ideia, lá por 1450, na Inglaterra, alguns analfabetos cheios de boas e louváveis intenções, lideravam um clamor público contra o ensino e os livros e, óbvio, contra a própria alfabetização. E eles nem eram linguistas. O conhecimento era classificado de ferramenta de subjugação dos poderosos sobre os menos privilegiados. Não mudou muito, não é? Felizmente, hoje, nem o mais delirante linguista teria peito de ir tão longe, pois, teoricamente, não são analfabetos. Bem, sei lá, não tenho certeza! Sabe-se lá o que acontece no interior dos bestuntos desses Bagnos, Possentis e Antunes da linguística.
Estava criado o caldo de cultura para o surgimento da tal filosofia. Naquele tempo, essas bobagens soavam como as verdadeiras bobagens que são e não mereciam muita atenção. A partir de Marx passaram a ser levadas muito em conta, ao ponto de hoje, graças a tantos heroicos e dedicados mártires, ganharem foros de seriedade incontestável. O alemão foi um novo redentor.
Se o coitadismo é o resultado politicamente correto (maldição!) dos ideais marxistas, concomitantemente a ele houve a formação de outro monstro do qual se lançava mão a toda hora como de um bicho-papão para intimidar quem se atrevia a contestar aqueles ideais. Esse gêmeo maquiavélico chamou-se reacionarismo. Modernamente, o reacionarismo vestiu nova fantasia, o preconceito. Qualquer pensamento contrário aos coitadistas é classificado com esta palavra. Não importa a situação, o rótulo é cuspido como uma pecha com a finalidade de colocar no devido lugar todos os pensamentos contrários aos dos anjinhos.
Como consequência, dê-lhe preconceito indígena, preconceito linguístico, preconceito sexual, preconceito estético, preconceito vegetariano, preconceito racial, preconceito etário, preconceito jovem infrator, preconceito ecológico, preconceito… invente um aí. Porém não esqueça o oprimido a ser beneficiado. Os coitadistas adorarão a sugestão e, em pouquíssimo tempo, será fundada uma ONG para tratar dos a$$unto$ relativos à luta em defesa dos novos sofredores.
Assim, de preconceito em preconceito, o mundo se tornará um lugar melhor.


