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Esta postagem foi publicada em 2 de fevereiro de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

O gato, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Não gosto de gente agindo como se fosse dona do mundo. Detesto esses usurpadores querendo meu lugar!

O GATO

Adoro gatos! Tive uma gata, a Kika, durante 18 anos. Na sala, há um quadro, reproduzindo uma foto minha com ela. É um excelente desenho a lápis, feito por uma artista amiga. Mas este texto pretende ir além da declaração de amor por um bichinho de estimação. É um comentário científico.

          Preocupa-me essa discussão entre posições políticas a respeito de remédios, endeusando algumas correntes como científicas e demonizando outras como anticientíficas. Falando mais popularmente, as coisas são azuis ou amarelas. Nessa discussão ignora-se a possibilidade dum verde, desde a escola conhecida como cor secundária, obtida pela mistura daquelas primárias. Ou seja, certo ou errado! O assunto ficou mais presente quando, num programa da RBSTV, um repórter, esquecendo sua função de narrar fatos, bradou, com alegria, “a ciência venceu”. Estava “noticiando” o início da vacinação contra a COVID-19, dando a entender a vitória sobre aquilo chamado, nestes tempos pandêmicos, de obscurantismo. No caso, obscurantistas seriam quem acredita em outras formas de evitar a praga.

          E o gato? Bem, pensava eu na exclamação do repórter, dando como encerrada a disputa entre as correntes, pois haveria uma resposta inquestionável contra as alternativas além-vacina, quando me veio à mente o famosíssimo Gato de Schrödinger. Erwin Schrödinger foi um físico, Prêmio Nobel em 1933. Ele elaborou um experimento mental (procedimento usual na Filosofia e na Física), tentando explicar o comportamento de partículas subatômicas. Um gato era encerrado em caixa, completamente vedada, contendo um frasco de veneno mortal. Diante da probabilidade – notem bem: probabilidade – de alteração no estado das partículas do veneno, um martelo cairia sobre o frasco, quebrando-o. O gato, obviamente, morreria envenenado. Isso, porém, nunca seria percebido por um observador fora da caixa, exceto se ela fosse aberta. Para todos os efeitos, o gato dentro da caixa, estaria vivo e morto. Importante: não vivo ou morto.

            O que tem isso com a vitória da ciência festejada pelo repórter? Usar outros medicamentos além das vacinas, não é prova de ignorância, como amplamente defendido e difundido por uma das correntes políticas. É uma alternativa com probabilidade de êxito. Segundo o gato, é científica! Mesmo porque as vacinas têm vários níveis de eficácia. O próprio SUS oferece 29 Práticas Integrativas e Complementares (PIC) para atender segurados. Entre elas, Homeopatia, Geoterapia, Aromaterapia, Medicina Antroposófica, Imposição das Mãos, citando as mais conhecidas e carentes de comprovação científica. Logo…

            Enquanto isto, uso máscara, evito aglomerações e aguardo vacinação. Absolutamente científico.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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