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O Glorioso Esporte Clube Taquarense – O Leão da Encosta da Serra

Quem me lê, aqui neste espaço, deve saber que sou um saudosista incorrigível, né?! Pois, lá vai outra das minhas. No início dos anos sessenta, mais precisamente, em 1961 (quando tinha 10/11 anos, eu e outros amigos da minha idade o Leko Frohlich, por exemplo, adorávamos ir aos jogos do Glorioso Esporte Clube Taquarense – o Leão da Encosta da Serra. Nos aninhávamos no pavilhão, ali próximo do “túnel” de entrada dos jogadores, que ficava um pouco abaixo da cabine de rádio, esse túnel era feito de madeira, tal qual o pavilhão (que, hoje, já é de alvenaria). Um pouco antes da entrada do campo, esse acesso era de cerca de arame, o que nos dava uma vista privilegiada dos nossos craques. Até hoje, lembro do cheiro, que, para uns, é insuportável, da massagem feita pelo Massagista, o grande, literalmente, Natalino, o que, para nós, torcedores, funcionava como um doping.

Quando nossos ídolos entravam em campo, era um verdadeiro frenesi, pois nosso time, era um verdadeiro “cano” eis que, nessa época, batemos, entre outros, o Grêmio, por 4 a 2, o Inter por 4 a 3 (em memorável jogo pela Festa do Cinquentenário do clube), batemos o São José, por 5 a 1, em pleno Passo D’Areia, o Lansul de Esteio por 3 a 0, o Veronese de Canoas, por 4 a 0, e o N. Hamburgo (na época, Floriano), por 4 a 1 e o Flamengo de Caxias (hoje, SER CAXIAS do Sul). por 3 a 0, em um jogo, em que os caxienses invadiram o nosso estádio. Não esqueço, que a torcida deles tinha uma engenhoca (chamada de matraca) de madeira, com uma haste, também de madeira em que eles arrodeavam, num tipo de reco-reco em que, quando todos juntos arrodeavam aquilo, era um barulho infernal. Ganhei um desses de um torcedor caxiense, para desespero da minha saudosa mãe, fiquei uns dez dias usando a engenhoca ao redor da dela, a deixei louca, com aquilo, não bastavam as artes que fazia no dia-dia.  

A base do nosso cano era formada por: Storck, um alemão que veio do Floriano, ou Décio, ou ainda, o Vaca + o inconsequente e irresponsável Álvaro (explico, depois). Mas, o melhor, era o alemão Storck, na lateral direita, era o Paulinho, ou o Tião, na Zaga central, era o Eloir (Chulé, na quarta zaga, era o Belmonte. A zaga, era do tipo, Moledo (Chulé), que espantava tudo e o Cuesta (Belmonte), que afinava mais; na lateral esquerda, era o Paneco; o meio-campo, era o Celedo (mistura de volante e lateral direito), o Odir, o Luciano Capovilla (primo do meu saudoso sogro, Darci Coimbra) e o Pedrinho Figueiró (o treinador e, também o pensador do timaço; na ponta direita, o Renê, ou o Miguel (um neguinho magro e esguio, que veio do Floriano, também. ele lembra o Tinga de hoje, só um pouco mais alto) ambos, eram bons dribladores, o centroavante, era o Ícaro (filho do prof. Selviro Rodrigues do saudoso Renner e o ponta esquerda veloz e fulminante, era o Odon Ribeiro (que jogou, depois, no Grêmio. Detalhe: o Pedrinho, um ano depois, treinou o Inter e, o Ícaro, foi preparador físico do Grêmio uns dois anos depois. Nessa época, chuteira, era botina e esta, se não fosse “amaciada”, deixava os pés cheios de bolhas, principalmente, os dedos e os calcanhares, as chuteiras de hoje, são uma belezura, parecendo até sapatilhas de bailarinos; a bola, era balão de couro (quando chovia, nossa! Virava um míssil), o goleiro, era goal kepper, o zagueiro era o beque, o primeiro volante, era center alf e o centroavante, era o center forward.

O time, tinha, além dos goleiros reservas, os bons reservas, Maquiné e Feijão e, para a defesa, o alemão Delmar Behs (o Vermelho) e o Nego Dilo. O Feijão era uma mistura de negro com bugre, que era uma espécie de Escurinho taquarense, entrava para mudar o estilo de jogo e dar uma nova dinâmica do time, ele era insinuante e grande driblador aliás, o Maquiné, também, era bom driblador. Esse verdadeiro scretch (termo da época, para Escrete), andou ali, ali, para entrar na Divisão Especial do Gauchão de 1962, junto com os grandes. Isso e o Cinquentenário do Taquarense, é outra história, que devido ao horário adiantado, faço um adendo a este texto, amanhã. Além do mais, o espaço …???!!! kkkkk. O Campeonato da Segunda Divisão, era em Chaves Regionais e, o nosso aguerrido time, foi o Campeão da sua Região sendo que: esses Campeões Regionais, disputariam um Torneio no Estádio Olímpico (chique, não?! Para a época – sim!), Torneio da Morte, foi assim definido popularmente. O Taquarense teve como rivais, o Brasil de Pelotas, o Saviana de Uruguaiana e o Atlântico de Erechim (hoje, o Ypiranga). Nosso timaço foi para a final, perdendo nos pênaltis para o Brasil sendo que, o Luciano, perdeu a sua cobrança e, até a sua morte, foi crucificado por isso. Resumindo: perdemos a chance de disputar a Divisão Principal do Gauchão do ano seguinte (1962)). Uma lástima! Para nós, torcedores a data do Cinquentenário do Taquarense foi uma festa memorável com o estádio completamente lotado e, tendo como convidado o Internacional de P. Alegre (que, nesse jogo estrearia o meio campista, Sérgio Lopes o Fita-Métrica), com o resultado inesquecível de 4 a 3, não lembro de quem foram os gols. Só lembro de um lance que marcou o jogo, ainda no primeiro tempo. O ponta direita, Sapiranga, numa dividida, atingiu maldosamente o nosso goleiro Décio e pasmem!

O reserva, Álvaro, que deveria estar à beira do campo, tinha ido à matiné do cinema com a namorada. Resumo, tiveram que colocar o goleiro do Parobé, que havia feito a preliminar do jogo. Porém, nada mudou na nossa vitória o goleiro improvisado, não comprometeu. Para ele, deve ter sido um marco na sua vida, para nunca mais esquecer. O amigo Jorge Belmonte que, ao contrário de alguns atletas do time, ainda está entre nós, poderia me corrigir, caso algumas dessas informações, estejam incorretas. Jauri Belmonte – o filho e meu amigo do Face – poderia intermediar “essa bronca” (risos). Essa, é mais uma das minhas histórias. E, aí, gostaram???!!!

Por Rui Fischer
Escritor e Cronista de Taquara

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