Por mais que eu tente me acostumar com tudo o que vejo por aí, o ser humano ainda me surpreende. Para o bem e para o mal, assim caminha a humanidade, entre esses dois polos. “O médico e o monstro” dentro de cada um, enclausurados para se manifestarem a qualquer momento, em qualquer situação.
É inegável, claro, que a espécie humana evoluiu em alguns aspectos (ciência, tecnologia, medicina, saúde, etc, etc). E regrediu violentamente em outros, como educação, boas maneiras, respeito, compreensão e companheirismo. Coisinhas básicas do dia a dia que foram se perdendo com a dita evolução.
No lugar desses valores, emergiram outros que dão até medo. Barbárie contra mulheres que optam por tentar levar uma vida digna sem a opressão e a violência de maridos que acabam com elas a tiros ou soda cáustica; população enlouquecida e egoísta, que rouba seus semelhantes na tragédia em meio ao caos de um terremoto no qual todos precisam de ajuda; tiroteio em praça pública para eliminar os “inimigos” de gangues rivais, todos ainda adolescentes.
Que evolução é essa? Os monstros dominando as mentes de seres considerados humanos. Espécie superior, evoluída, que tenta se sobrepor às demais, impondo-se como racional. Monstros desconhecidos e próximos, capazes de qualquer coisa, de qualquer ato em nome sabe-se lá do quê. Alguns, da honra; outros por vingança, revolta, demência, insanidade, crueldade, sadismo e até por motivos tão banais que chega a ser assustador sair de casa, só de pensar.
No outro extremo, atos de solidariedade que emocionam e viram notícia, também, como se o bem fosse algo tão insólito quanto os crimes mais hediondos. Ações despercebidas, na maioria das vezes, e que nem sempre são destaque na mídia por não envolverem grandes projetos humanitários, mas que fazem a diferença na aldeia onde moramos.
Pequenos exemplos do bem que podem surgir a qualquer momento, matando o monstro adormecido em cada ser humano. Para isso, é preciso não alimentá-lo de raiva, de injustiça, de ingratidão, de exclusão e de todas as mazelas do mundo contemporâneo. Basta criá-lo com exemplos altruístas, de amor e solidariedade, de educação e carinho, de respeito e solidariedade para que evolua plenamente.
Sem isso, nos igualamos, ou pior, nos inferiorizamos aos demais seres da natureza. Melhor pensarmos em outro tipo de evolução ou continuaremos na Idade da Pedra, na Idade Média, de onde me parece que ainda há resquícios em nossa mente assombrada com tanta modernidade e tão pouca educação.
Roseli Santos
Jornalista
Esta postagem foi publicada em 26 de agosto de 2011 e está arquivada em Caixa Postal 59.


