As pessoas têm medo da exclusão social. Por isso, quando discordam do pensamento majoritário, escondem seus pontos de vista. É o que a filósofa alemã Elisabeth Noelle-Neumann chamou de “espiral do silêncio”.
Essa estrutura gira quando os valores de uma sociedade mudam. Se celebridades passam a tratar de temas outrora marginalizados, acabam por despertar as opiniões adormecidas. O que antes era tabu começa a ser discutido em larga escala. Aos poucos, o padrão vigente se altera – e quem permanece preso às ideias do passado se cala.
A questão é que, hoje, essa lógica é limitada. Qualquer um pode acessar o Facebook e escrever um textão, mesmo que não domine o assunto. A visibilidade não se restringe mais aos discursos de figuras públicas.
E os palpites infundados reverberam. Com o block e o unfollow, vozes destoantes são apagadas. Sobram no feed apenas aqueles amigos com a mesma ideologia, sempre prontos para curtir um post polêmico. Aí, de repente, mesmo as falas mais impopulares parecem ser corroboradas pela grande massa.
Nessas câmaras de ressonância de suas perspectivas limitadas, os indivíduos creem pertencer a uma ilusória maioria. Rompem, enfim, a espiral do silêncio, mas de um jeito torto.
Pesquisas apontam que, quanto mais homogêneo o círculo de amizades, mais radicais tendem a se tornar os sujeitos. Dentro de nossas bolhas digitais, desaprendemos a conviver com a diferença.
Não que os sites de relacionamentos sejam, de todo, ruins. Graças a mobilizações online, causas sociais importantes ganham notoriedade e geram repercussão na mídia. Em contrapartida, grupos extremistas, que pregam ódio a culturas e etnias diversas, também fazem barulho.
Porém, fato é que o mundo ultrapassa as fronteiras de nossas timelines. Fora das redes digitais, é impossível bloquear a alteridade. Os valores de uma época são construídos com diálogo, respeitando-se o espaço de cada um.
Ou aprendemos a aceitar o outro e a debater com sensatez, ou tanto ruído soará tão inaudível quanto o silêncio.


