Informática

O Twitter de Elon Musk

No início dos anos 2000 ocorreu um boom na criação de um novo tipo de plataforma. A ideia parecia simples: Cadastrar usuários que teriam a possibilidade de se conectar e trocar informações sobre gostos, hobbies, opiniões e outras informações pessoais. O nome criado para esse tipo de plataforma foi Rede Social. Talvez você lembre do Orkut, a primeira rede social desenvolvida pelo Google e que fez muito sucesso no Brasil e que foi desativada em 2014, depois da rápida ascensão do Facebook e do Twitter. Na década de 2010, várias redes sociais tentaram se especializar, focando em apenas um tema, como jogos, música, filmes etc, mas também foram engolidas pelas grandes redes sociais da época. Existe uma certeza no ramo da tecnologia: Concorrer com um serviço com base já estabelecida é praticamente impossível, a menos que a proposta seja completamente diferente. Em 2006, o Twitter foi fundado com uma proposta completamente diferente de seus concorrentes: Permitir que o usuário crie pequenas mensagens de 140 caracteres de forma pública para outros usuários. Uma espécie de SMS (até então a forma mais comum de comunicação por texto em telefones celulares), mas para um público mais amplo. O Twitter começou lento, mas em 2010 teve uma aceitação considerável, chegando a 100 mil usuários nos anos seguintes. Ao contrário do Facebook e MySpace, as redes sociais mais populares até então, o Twitter foi adotado amplamente por figuras públicas como uma ferramenta de conversação com seu público.

Agora era possível saber coisas banais de pessoas públicas respeitadas, como presidentes, CEO de empresas, artistas e cientistas. Com o sucesso, surgiram vários problemas, como por exemplo, onde tirar uma receita de uma rede social gratuita? A opção adotada pelo Twitter foi a utilização de propagandas, o que foi muito criticado por seus usuários e pouco lucrativo para a empresa. Ao contrário do Facebook que obteve lucros repetidos com a estratégia de conteúdo publicitário, o Twitter raramente teve lucro líquido em 2 anos consecutivos. Para piorar, o Twitter é uma das redes sociais mais controversas em relação a segurança de dados dos usuários e de conteúdo apresentado. Seguidas falhas de segurança permitiram a obtenção de dados de vários usuários durante a década de 2010. A utilização de bots, permitiu que vários conteúdos de gosto duvidoso se tornassem tendência na rede.

Se o Facebook recebeu uma grande parte da culpa pelo avanço de políticos populistas com pensamento de extrema direita, o Twitter pode ser responsabilizado pelo aparecimento de pensamentos extremistas de mesmo viés, como racismo, homofobia e xenofobia. Embora o Twitter seja um dos campeões de reclamações em relação ao conteúdo de seus usuários, raramente a rede social remove esse conteúdo. Já foi provado que entre as redes onde conteúdo ligado a pedofilia aparece, o Twitter é o com maior conteúdo e com menor índice de remoção desse conteúdo. Mesmo com todos esses problemas a serem resolvidos, Elon Musk decidiu comprar o Twitter por US$44 bilhões, um valor muito alto considerando o retorno financeiro do Twitter, mas talvez não tão alta considerando as pretensões políticas de Musk.

Embora nunca tenha tido a conta bloqueada pelo Twitter, Musk teve várias postagens de gosto duvidoso bloqueadas pela plataforma. Com a desculpa de aumentar a liberdade de expressão, Musk realizou a compra do Twitter e agora promete liberar o controle do que é publicado na rede social. Nos dias que seguiram a compra do Twitter, diversos políticos e personalidades de viés conservador receberam centenas de milhares de novos seguidores de forma misteriosa. Talvez seja um indício de que o Twitter, mais do que nunca, será utilizado como uma arma política e de fabricação do consenso de uma grande parte da população.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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