
O vírus não quer conviver contigo, quer te levar
1 ano de pandemia estamos completando neste mês. É como se tudo que tivesse sido vivido antes dela, fizesse parte de um passado muito distante, tão intenso está sendo esse período. Ao mesmo tempo em que o mundo parou, tudo aconteceu e ainda não sabemos lidar com a realidade.
E isso é gravíssimo. Quando o comércio fechou e todas as atividades não essenciais também, lá no final de março de 2020, nossa região não tinha nenhum caso de Covid 19. Foi vendida a ideia de que todos ficando em casa naquele momento, em poucas semanas tudo poderia voltar ao normal. Não culpo as autoridades, a doença era pouco conhecida e tentávamos lidar com ela. Faltou um pouco mais de tranquilidade, isso sim. Estudar de forma mais abrangente os impactos do fechamento no controle da doença, levando em conta que havia a clareza de que apenas estava se adiando a sua chegada.
Preparar os hospitais era importante também. Entretanto, nada superaria seguir os protocolos básicos de saúde. Máscara e álcool gel.
Vírus que se manifesta pelo contato e depois descoberto que pelo ar também. Era conhecida a fórmula de combate. Se adotou o desespero. E nisso se perdeu o momento que mais o público estava engajado. O tempo foi passando, a mente do ser humano cansando, os protocolos afrouxando, as autoridades políticas esquecendo a saúde e focando nas eleições. O que aconteceu? A sociedade perdeu a confiança no que lhe era orientada. A eleição passou, eles tentaram retomar o padrão de regras anteriores, só que a credibilidade foi perdida.
Veio o final do ano, as praias, o carnaval, literalmente o público passou a “conviver” com o vírus. Só que o vírus não quer conviver com as pessoas. Quer levar elas deste mundo.
Hospitais começaram a encher, as mortes aumentaram e tristemente o ser humano normalizou tudo isso.
Até que parou de ser “coisa de tv”, as perdas passaram a fazer parte do nosso ambiente. Conhecidos, amigos, familiares. Todo os dias as pessoas são afetadas com a partida de alguém no mínimo próximo do seu convívio.
E isso não pode ser normal. O negacionismo não tem mais argumento.
As vacinas deram uma falsa sensação de que tudo estava resolvido. Só que elas chegam aos poucos, quase parando. Tem no mínimo um 2021 inteiro de muita luta ainda.
Me entristece ler pessoas jogando responsabilidades em quem fecha comércio, como se fossem “assassinos”, ou na mídia que “propaga o terror”. Olhem o que está acontecendo NESTE MOMENTO.
Ao mesmo tempo, sou crítico da ideia de fechar o sustento de quem quer que seja. Não é o comércio que gerou a piora. Ele não precisava fechar nem antes e nem agora.
Porém, foi a única “solução” de quem não a tem. As aglomerações não se dão ali. Até surtiria efeito se fosse feito um fechamento total da cidade, do estado, do país, por 20/30 dias. Ninguém sair de casa mesmo. Só que é impossível.
Governo não banca o cidadão e o indivíduo não gosta de regra, tem paixão por descumprir. Nenhum protocolo vai surtir efeito sem cooperação.
A gente como população, deu um show de egoísmo neste 1 ano. Vidas foram perdidas, continuarão sendo encerradas e ninguém se julga responsável. Geralmente eu falo de acessibiilidade aqui.
E nesta coluna falei de novo. Acessibilidade de consciência.
Se com tudo que está acontecendo, ela ainda não caiu em si. Tomara que você escape de ela cair da forma mais cruel.
Se cuidem e fiquem com Deus.
Por Cassiano Gottlieb, de Taquara
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