
Do “Meu cinicário” – Todo militante (religioso, político, social, ecológico) é um abusado. Se não para os semelhantes, certamente, para os de outras militâncias.
OBRAS DE ARTE
Hoje, falarei de arte! Nestes tempos coronários, houve uma invasão de diletantes e, como sou um desses, mesmo sem fazer parte da horda recente, pois já teclo há bons anos – o “bons”, aqui, vai por conta da quantidade, não da qualidade! –, meto-me a dar palpites artísticos. “Diletante” vem do italiano, significando, originalmente, pessoa dedicada às artes, mas nada profissional. Esse “nada profissional” é puro eufemismo, significando “total amadorismo”. Ou seja, refiro-me ao pessoal que está tendo mais tempo ocioso em função da maior disponibilidade devido ao pandêmico distanciamento social e, consequentemente, pode levar em frente velhos projetos musicais ou pictóricos ou literários.
Quem me chamou a atenção para esse aspecto da Arte (assim, com letra maiúscula), foi David Coimbra, colunista do jornal Zero Hora, num texto de 2 de setembro. De maneira geral, seu assunto era outro. Era sobre uma roda-gigante, vejam só! Porém, feitas as devidas ligações, caímos neste meu texto. O articulista em questão, por quem tenho muito apreço (não é fácil escrever, todos os dias, um texto diferente – eu que o diga, semanalmente), fala, a certa altura, sobre representações artísticas e citava um monumento existente em Porto Alegre, cidade natal, minha e dele. Tal monumento é a escultura das cuias, um trambolho enraizado no caminho da zona sul da cidade. Só o vi umas duas vezes, mas foram o suficiente para pensar noutra coisa, além daquilo que, oficialmente, representava. Tão logo lhe pus os olhos, vi um amontoado de seios femininos. David chamou de homenagem ao Novo Coronavírus. Penso, nós dois temos razão, ainda mais porque concluímos pelo extremo mau gosto da escultura. E é aonde eu queria chegar.
Muitos tratados acadêmicos e críticos querem definir o “gosto” em relação à Arte, porém não passam de tentativas de interferência na opinião alheia. É igual aos concursos de chefs de cuisine. Como alguém pode classificar um determinado prato de “excelente” e outro de “sofrível”? Para mim, basta uma comida ser feita com cebola para eu classificá-la como “intragável”. O mesmo julgamento se dá com peças artísticas. Tudo é, sempre, questão estritamente pessoal. Quando um crítico busca razões para elogiar ou depreciar, está, apenas, se justificando. Valor ou desvalor intrínseco, isso é papo-furado.
Bem-vindos, diletantes! Fazemos parte de um clube imenso e alguns de nós talvez passemos à fase seguinte, a de artistas!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
[Leia todas as colunas]


