Uma vida não observada existe? Claro que não! Uma vida precisa ser twittada dia e noite para existir, não perceberam ainda? Hoje, não basta apenas ter nascido para justificar sua presença neste planeta. Se você quer ser, realmente, precisa estar virtualmente em todas as mídias sociais. Caso contrário, você deixa de existir, entendeu?
Acontece que, não desprezando essas ferramentas que são importantes para fortalecer relacionamentos pessoais e profissionais (e eu as utilizo também), vem ocorrendo algo estranho, especificamente neste tal de Twitter, uma rede social onde se deve deixar seu recado em, no máximo, 140 caracteres. Resumindo, o que deveria ser algo sucinto e legal para tomarmos conhecimento apenas do que interessa (e há quem faça isso brilhantemente), se tornou uma coisa extremamente chata e enfadonha, na maioria dos casos.
Basta abrir o site e se deparar com um “Bom-dia, acordei!” ou “Vou ao supermercado” ou “Fulano, me liga???” ou ainda uma série de besteiras retwittadas de quem não tem realmente nada a dizer ali. Sinceramente, a quem interessa saber se você está com dor de barriga ou vai ao supermercado? Se vai dormir agora ou acordou recentemente?
O fato de querer ser notado e observado a qualquer preço me parece um mal contemporâneo. Não basta estar na mídia, é preciso ser comentado, chamar a atenção a qualquer custo para a sua pessoa e suas atividades. Até que me divirto lendo algumas postagens mas, sinceramente, só rindo para não chorar com a pobreza de alguns twitteiros que não devem ter nada mais interessante para fazer na vida (como viver, por exemplo), ao invés de fazer comentários tão sem conteúdo quanto suas próprias existências.
E olha que eu curto essa ferramenta e sigo muita gente legal no Twitter, além de ter seguidores que têm muito a dizer e me acrescentam informações importantes. Pena que, de um modo geral, twittar virou sinônimo de futilidade, comentários irrelevantes sobre nada, exposição extrema de atitudes e ações que não interessam a ninguém, além dos próprios seres que as relatam.
Uma vida que precisa ser observada assim precisa ser revista, com certeza. Quem vive realmente com intensidade sabe do que estou falando. Ser observado não é a mesma coisa que ser amado. Talvez aí resida a maior carência de todos esses twitteiros do mundo atual. Onde falta amor, convivência, troca, relacionamentos e amizades verdadeiras, sobram espaço e tempo para expor o vazio que há em cada um, quando não há mais nada a dizer.
Unfollow para esses aí!
Roseli Santos
– Jornalista –
Esta postagem foi publicada em 25 de junho de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


