Não está fácil depender de transporte coletivo em Taquara. As condições do pátio da rodoviária estão alarmantes. O chão batido, mesmo após sucessivas camadas de brita, apresenta inúmeros buracos. Ao chegar ou partir do local, os ônibus balançam demais e quase atolam. É apenas uma questão de tempo até que aconteça um acidente.
O engraçado é que a transferência da rodoviária para o atual endereço visava à comodidade dos taquarenses. Não é o que acontece. Para facilitar o acesso dos usuários, a Transpar disponibiliza um micro-ônibus que faz o trajeto Centro-Rodoviária-Centro. Porém, a empresa decidiu diminuir a frequência dos horários. O motivo alegado é o excesso de passageiros não pagantes (idosos e outros isentos), o que inviabiliza o serviço.
Agora, em vez de um ônibus saindo a cada meia hora do terminal central, o intervalo é de cerca de duas horas. Aos passageiros sem carro que precisam viajar nesse meio tempo, resta ou ir muito mais cedo para a rodoviária, ou gastar dez vezes mais com um táxi ou, quem sabe, caminhar os quase dois quilômetros que separam a rodoviária antiga da atual. Os idosos e moradores do interior, justamente os que mais precisam do serviço, sairão prejudicados.
É claro que toda empresa visa ao lucro. No entanto, duvido muito que a Transpar trabalhe em déficit, ainda mais disponibilizando um veículo tão sucateado como o que faz a referida linha. Além disso, o que está em jogo é um serviço de necessidade pública. Há casos de cidades como Curitiba em que algumas linhas de ônibus dão prejuízo, porém são compensadas com as que dão mais lucro. O importante é garantir um modal eficiente, que cubra o maior número possível de áreas e beneficie a população.
Enquanto enfrentarmos o descaso dos empresários e das autoridades taquarenses, a situação só tende a piorar.
Rafael Tourinho Raymundo
Jornalista, de Taquara


