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Publicado em 03/08/2021 00:33 Off

Do “Meu cinicário” – Ricos praticam atos repulsivos que pobres querem, de todo o coração, praticar. Apesar da abominação de seus angelicais defensores políticos.

OLIMPÍADAS

E estamos no meio de mais uma festa de congraçamento entre os povos da Terra: uma olimpíada. Dito assim, parece que estou falando sério. Mas estou. Não por acreditar numa balela desse naipe, e, sim, por desejar acreditar nela. Não seria bom se tudo aquilo que as televisões e as propagandas do mundo todo estão espalhando correspondesse à verdade? Pense bem: bastaria juntar pessoas oriundas dos mais diversos países, colocá-las em algumas quadras esportivas e todos os problemas mundiais estariam resolvidos, em nome da boa vizinhança e fair play dos esportes, abençoadas pelos deuses de uma ideia de, já, mais de três mil anos, e revividos a partir de 1896 pelo francês Barão de Coubertin! Porém, nem o próprio deus grego a quem, originalmente, eram destinadas as louvações daquelas disputas – Zeus – era lá coisa boa de se cheirar. Por que seriam os procedimentos modernos nele inspirados? Pois é, sempre foi o caso de um sonho cujo objetivo jamais foi atingido: a concórdia universal.

Sei, pareço um pessimista ao chegar a esta conclusão. Admito não ter sido inspirado por bons sucessos esportivos pessoais, embora tenha tentado. Joguei futebol sem ter qualquer habilidade para tanto; pratiquei ginástica sofrivelmente; nadei desesperadamente, mais numa tentativa de autopreservação, esperando não me afogar e sair vivo das piscinas; tentei corridas de 100 m rasos e corridas de resistência, do tipo maratona, sem sucesso; meu time de futebol de mesa jamais venceu algum torneio. Nem em bolinha de gude consegui vitória. Tudo lembrando algum embate, de onde pudesse surgir, formalmente, um vencedor, sempre esteve longe das minhas conquistas. Até em concurso de contos me dei mal. Meu prêmio foi uma carta padronizada, agradecendo minha participação por eu ter “enriquecido” o certame. E “volte sempre”! Ou seja, em se tratando de competição esportiva, ou de outro quilate, estou fora.

O problema é: não estou sozinho. Calculando, assim, por baixo, faço parte de um bloco de quase 7,8 bilhões de humanos, a população do nosso planeta. O “quase” fica por conta daqueles em condições de, realmente, disputar um certame esportivo para acabar com as diferenças entre as nações, criando um clima daquilo que foi o grande eslôgã da cultura hippie de 1960/1970: paz e amor. Mas esse é, justamente, o elemento faltante numa olimpíada. Ninguém vai às quadras a fim de, apenas, fazer amizades sinceras. Zeus nunca deu a mínima para isso!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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