A Polícia Civil desencadeou, na manhã desta terça-feira, a Operação Antares, que desarticulou uma quadrilha suspeita de montar empresas em nome de “laranjas” ou por meio de falsificação de documentos. Na região, mandados judiciais foram cumpridos em Taquara, Parobé e Rolante. O empresário Paulo Maia, de Taquara, foi detido temporariamente pela Polícia Civil para ser ouvido sobre a suposta fraude.
Segundo a polícia, os três principais líderes do esquema, que não são de municípios do Paranhana, foram presos. A corporação cumpriu 14 mandados de prisão preventiva, 20 de temporária, 14 de busca e apreensão e cinco de condução coercitiva. Durante a investigação, a polícia afirma que cerca de 50 empresas com essa finalidade foram identificadas e monitoradas, sendo que algumas delas sofreram intervenção.
Conforme os delegados Gustavo Rocha e Alexandre Fleck, as empresas são criadas ou estruturadas em nome de “laranjas” ou por meio de falsificação de documentos, com a finalidade de aplicar fraudes mercantis, sobretudo aos fornecedores de produtos diversos. Inicialmente, segundo a polícia, os infratores negociam produtos pagando à vista, assim que ganhavam a confiança dos fornecedores, realizavam compras maiores, com pagamento a prazo, e sumiam do mercado, consumando assim o golpe. Ainda conforme os delegados, antes que os fornecedores conseguissem realizar qualquer espécie de cobrança, os produtos eram revendidos por meio dessas mesmas empresas ou outras também criadas para o mesmo objetivo. “A investigação possibilitou o mapeamento das principais empresas receptadoras de cargas roubadas ou obtidas mediante fraude”, afirmaram os delegados em coletiva realizada em Porto Alegre.
Ao Jornal Panorama, o delegado Gustavo explicou que Paulo Maia possui relação próxima com um dos principais investigados e adquiria produtos dessas empresas. Os investigadores suspeitam que Paulo sabia da origem desses produtos, pela relação próxima com o investigado, o que configuraria, em tese, o crime de receptação. O delegado informou que Paulo deverá ser ouvido ainda nesta terça-feira para que possa explicar a sua relação com os suspeitos. Caso as explicações sejam consideradas convincentes, o próprio delegado informou que poderá solicitar a liberação de Paulo à Justiça.
CONTRAPONTO
Panorama procurou a família de Paulo Maia, nesta terça-feira, mas ainda não havia informações a respeito do que estava sendo investigado para divulgação. A reportagem está em contato com as defesas constituídas para esclarecimento dos fatos.


