Polícia

Operação desmantela quadrilha de pirâmide financeira que arrecadou mais de R$ 25 milhões no Paranhana

Os estelionatários usavam até 'atores' para enganar mais de 100 empresários da região. Cerca de 60 imóveis e veículos foram apontados pela polícia como patrimônio da quadrilha.

A Polícia Civil, através da Delegacia de Polícia de Três Coroas, com apoio das DPs de Igrejinha, Gramado, Canela, Taquara, Rolante e Santo Antônio da Patrulha, realizou a chamada operação “Faraó”, na manhã desta sexta feira (5), que culminou no cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e prisão preventiva. As diligências foram realizadas em cinco diferentes municípios.

Conforme informou o delegado Ivanir Luiz Moschen Caliari, responsável pela DP de Três Coroas e pelas investigações, acompanhado pelo delegado regional Heliomar Franco, a operação foi desencadeada em combate a crimes de estelionato praticados por organização criminosa destinada à compra de imóveis envolvendo valores em dinheiro alcançados pelas vítimas com a promessa de repasse de lucro decorrentes de negociação futura. Os valores, após um determinado período, não eram mais devolvidos, pois a compra e venda dos imóveis nunca existiu.

O delegado Caliari referiu que os criminosos alegavam possuir estreita relação com uma grande empresa de consórcios do estado, chegando a pagar “atores” para se fazerem passar por funcionários de tais empresas no intuito de ludibriar os investidores. Em alguns casos, as vítimas recebiam nas duas ou três primeiras transações valores decorrentes das negociações alegadas, mas após depositarem confiança nos fraudadores, acabavam reinvestindo o lucro anterior e mais dinheiro nas operações seguintes, quando então não mais recebiam de volta seus investimentos. Acredita-se que mais de cem vítimas tenham caído no golpe em todo o Vale do Paranhana, ocasionando obtenção de vantagem indevida que atingiu mais de R$ 25 milhões de reais.

Ao longo das investigações, a Polícia Civil identificou 15 suspeitos de participarem do grupo criminoso, tendo sido possível apontar 34 veículos e 30 imóveis avaliados juntos em mais de R$ 10 milhões de reais, patrimônio possivelmente adquirido pelos investigados com o dinheiro obtido ilicitamente, bens os quais passam agora à disposição da Justiça.

Além de valores em dinheiro, foram apreendidos tablets, aparelhos celulares, notebooks e diversos documentos de compra e venda patrimonial, tendo sido realizado também o cumprimento de mandado de prisão preventiva, destinado a um dos principais articuladores dos crimes investigados, homem de 32 anos de idade, que foi preso em Taquara. Outro indivíduo estaria morando em Porto Alegre, porém, ao chegarem no local, os policiais constataram que ele havia mudado há poucos dias.

As diligências contaram com a participação de 30 policiais civis e foram realizadas em Taquara, Rolante, Igrejinha, Porto Alegre e Santo Antônio da Patrulha. Os investigados respondem a inquérito policial instaurado pelas práticas de crime organizado, estelionato e lavagem de dinheiro. Nenhum nome dos suspeitos foi divulgado pela polícia.

Fotos: Divulgação/Polícia Civil