Polícia encontrou dinheiro e arma na casa de um dos envolvidos

As delegacias de polícia de Igrejinha e Três Coroas, com apoio das delegacias de Campo Bom, Gramado, Canela e São Francisco de Paula, cumpriram sete mandados de busca e apreensão e três de prisões preventivas nas cidades de Campo Bom, São Leopoldo e Charqueadas, entre a sexta-feira passada (24) e a manhã de hoje (3). A operação finalizou as investigações que apuraram o assassinato do comerciante Vanderlei Fuhr, no bairro Sossego, em Igrejinha, na véspera do Natal de 2016. Inicialmente, pensava-se tratar de um latrocínio. No entanto, a partir da prisão de um dos envolvidos, a polícia descobriu que a ordem para executar o empresário partiu de um presídio.
As investigações realizadas durante dois meses apontaram que ao menos seis pessoas participaram do assassinato, todos integrantes de organização criminosa do Vale dos Sinos, a qual efetuava venda de drogas, roubos e homicídios em Igrejinha e municípios da região. Logo após o crime, a Brigada Militar da cidade prendeu um dos três executores do assassinato e apreendeu uma das duas armas utilizadas na execução, aparelho celular e o veículo tripulado pelos bandidos. Em Campo bom, foi preso o suspeito de fornecer as armas para a execução do comerciante. Foram encontrados com ele R$ 2 mil em dinheiro e um revólver calibre 38.
À época, também foram decretadas mais quatro prisões preventivas. Um dos apontados como mandante do homicídio é presidiário da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas, tem 31 anos e era morador do bairro Sossego, onde a vítima possuía uma loja. Conforme o delegado Ivanir Caliari, responsável pelas delegacias de Igrejinha e Três Coroas, dias antes do assassinato, o detento conhecido como Bexiga teria solicitado, de dentro do presídio, um ventilador ao comerciante. O pedido teria sido negado por Vanderlei, que na tarde do dia 24 de dezembro sofreu um suposto roubo. Dois bandidos armados chegaram no estabelecimento comercial na carona de um veículo, anunciaram o assalto, renderam Vanderlei e o executaram.
Mensagens de telefone ajudaram a esclarecer o caso
“Inicialmente, acreditávamos em latrocínio, mas após analisarmos as informações, chegamos à conclusão de que a execução partiu de dentro da penitenciária”, aponta o delegado. Ainda durante os trabalhos, foi constatado um possível homicídio em Parobé pela quadrilha, bem como envolvimento dos indiciados com tráfico de drogas e de armas de fogo. Caliari diz que as investigações atribuem a Bexiga e a outro detento conhecido por Maria a ordem de execução de Vanderlei. Um dos assassinos da vítima foi morto em São Francisco de Paula, no dia 22 de fevereiro, em suposta queima de arquivo.
Durante as investigações, conforme relata Caliari, foi possível recuperar áudios em que se verificam os criminosos comentando quais as armas utilizar no crime, mencionando que duas pistolas, uma nove milímetros e outra calibre 40, seriam suficientes para a execução da vítima. O criminoso conhecido como Pixote, minutos antes do crime, diz que Vanderlei não escapará, referindo que estava chegando ao local da “atividade”.

Inquérito irá para o foro
A Polícia Civil realizará a remessa do inquérito policial ao Foro de Igrejinha na semana que vem, procedimento investigativo no qual os suspeitos responderão por homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e por dissimulação, bem como por formação de organização criminosa.


