Informática

Os herdeiros da E3

Todo mês de Junho eu falo sobre a E3, já virou uma tradição. Mas nos últimos anos falei mais da possibilidade da E3 terminar do que da própria feira. Para quem não conhece a E3, basta resumir que é a feira mais importante do mundo dos jogos digitais. Um evento que costuma ocorrer nos primeiros 15 dias do mês de Junho, sempre apresentando diversos produtos ligados ao mundo dos jogos digitais. A segunda semana da E3 é sempre a mais esperada, já que é reservada para apresentação dos jogos das principais plataformas de jogos do momento. A cada dia, uma grande apresentação com vários jogos que acabam obtendo algum nível de sucesso. Obviamente, com o tempo, vários momentos vexatórios ocorreram e aos poucos começou o questionamento público da necessidade de uma feira como a E3.

A pandemia do COVID-19 mudou a E3 de forma drástica. Primeiro, não apresentando o evento em 2020 e depois realizando o evento em formato online em 2021. O evento online foi gravemente afetado pela redução drástica de empresas participantes e pela saída das grandes empresas no evento, que já a alguns anos tem aumentado progressivamente. Em 2022, a E3 novamente não ocorreu. Em parte devido ao crescimento dos casos de COVID-19 nos EUA, parte pelo abandono dos estúdios independentes do evento, que passou a cobrar mais caro por espaço no salão. Sendo assim, em 2022 a E3 foi substituída por uma série de eventos, principalmente eventos focados em pequenos desenvolvedores de jogos. Future game show, PC gaming show e o Devolver showcase apresentaram diversos jogos produzidos por pequenos desenvolvedores de todos os cantos do mundo. Esses desenvolvedores migram em massa para apresentar seus jogos em diversos eventos mais baratos e onde talvez consigam uma maior atenção do público geral. Isso já pode ser visto com a criação de eventos específicos para desenvolvedores independentes ou que abordam jogos indie com maior atenção, como é o caso do BIG festival que ocorre no Brasil anualmente.

Saindo dos jogos independentes e entrando nas grandes promessas dos próximos meses, começamos pela Capcom, empresa japonesa famosa por suas séries clássicas como Mega Man e Street Fighter. A empresa mostrou o primeiro trailer do novo Street Fighter VI, uma tentativa de reviver a série após os erros cometidos em Street Fighter V. A Capcom também mostrou imagens do remake de Resident Evil 4, considerado um dos melhores jogos da série.

Já a Sony, apresentou vários exclusivos na sua conferência, a grande maioria de pequenos estúdios. Também apresentou o próximo Final Fantasy, o 16º da série principal que deve ser lançado com exclusividade temporária para o Playstation 5.

A Microsoft apresentou diversos jogos exclusivos para Xbox e Windows, boa parte desses jogos estão sendo produzidos pelas várias empresas que a gigante tem adquirido nos últimos anos. Talvez o jogo mais aclamado do evento da Microsoft tenha sido Starfield, um jogo de ação e RPG ambientado no espaço sideral e que remete visualmente ao clássico Elder Scrolls Skyrim. A novidade desses eventos foi a apresentação do novo serviço de jogos do Netflix, o Netflix Games que será uma plataforma de distribuição de jogos baseados no catálogo de séries e filmes produzidos pela Netflix. Para acessar, basta baixar o aplicativo do Netflix Games em qualquer dispositivo móvel com Android ou iOS e possuir uma conta ativa no Netflix.

Como podemos notar, não é o cancelamento da maior feira de jogos digitais do mundo que pode abalar a indústria dos jogos digitais, muito pelo contrário, ela segue criando novas alternativas para apresentar seus produtos de forma cada vez mais focada em seus diversos públicos-alvo.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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