Paralelas
Esta postagem foi publicada em 27 de outubro de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Os homens vão dançar

Existem coisas muito simples das quais a gente custa a se dar conta, e que poderiam fazer muita diferença nas nossas vidas, se nos tocássemos logo e puséssemos em prática, criando um hábito benéfico, mesmo que aquilo não esteja em nossas prioridades, ou nem mesmo numa remota vontade.

Por exemplo: o paladar é algo a ser educado, e pode-se obter muitas vantagens disso. Basta não teimar em querer comer só determinadas coisas, alegando motivos como: não me atrai e não quero provar; comi uma vez e achei horrível; sei lá como isso é preparado… Eu mesma já passei a apreciar uma série de coisas que me causavam estranheza, determinados temperos, principalmente.Também já experimentei pratos que achei horríveis, e que mais tarde observei que estavam mal preparados; numa segunda chance, descobri que podiam ser deliciosos.
Mas, é preciso reconhecer, nem tudo a que tentamos nos acostumar vira algo agradável em nossas vidas. Por exemplo: futebol e corrida de carros não me atraem. Mesmo! São paixões do meu marido, e umas três vezes devo tê-lo acompanhado a jogos de futebol. Que tédio! Com freqüência ele me chama entusiasmado para ver um lance da Fórmula Um ou da fórmula sei lá o quê, e eu tento me empolgar. Em vão! Paro ali por uns segundinhos para assistir, e então saio de fininha.

Em compensação, procurei me adaptar ao gosto que ele tem pelos ambientes rurais, e acabei gostando bastante do nosso sítio atual. Tivemos outro no passado, e eu vivia descontente com os programas rurais. Eu costumava dizer: “sou do asfalto”.

Mas, a propósito do título, quero tranqüilizar os leitores masculinos de que não se trata de uma ameaça. Aliás, os homens devem andar em ovos ultimamente, com a constante abordagem de temas relacionados ao tal empoderamento feminino. Mas não é por aí, até porque não entendo que haja uma ameaça a eles nesta tomada de consciência da mulher moderna.

Quero me referir ao fato de que muitos homens não gostam de dançar, ou acham que não sabem e que seriam incapazes de aprender. Meu marido inclui-se neste perfil. Nunca foi um animado dançarino, pelo menos desde que o conheço, pois há controvérsias sobre um passado dele que me é nebuloso; mas deixa o passado no lugar dele!

Enfim, ultimamente ando ouvido meu marido lamentando que não tenha aprendido a dançar de forma mais convincente. Segundo ele concluiu, trata-se de um poderoso diferencial para os homens na conquista das mulheres. Devo reconhecer que ele está certo, pois esta é uma queixa frequente das mulheres cujos pares não são chegados a bailar.

Aliás, a dança de salão é um exercício que faz bem ao corpo e à alma. E carrega consigo algo que é da essência de homens e mulheres, e que resiste aos tempos: eles as conduzem; elas se deixam levar. Porque, afinal, não há nada de errado em homens desejarem ser protetores; nem no fato de nós mulheres apreciarmos um braço forte a nos enlevar. Se isto também já mudou, não me avisaram.

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]