Cultura e Lazer

Os jovens “bons velhinhos” do Natal em Igrejinha

Grupo de voluntários realiza o Natal Solidário no município.
Voluntários nos preparativos para iniciar a carreata. Divulgação

Eles estão longe de terem barbas ou cabelos brancos, tampouco estão gordinhos ou com rugas no rosto. Em comum com o Papai Noel, o que os voluntários do Natal Solidário de Igrejinha têm é a felicidade pela alegria das crianças. Desde 2012, o grupo reúne jovens entre 20 e 35 anos para arrecadar, organizar e distribuir pacotes de doces em bairros carentes do município.

Tudo começou com Fabio Rodrigues da Rocha, 24 anos, quando ele ainda tinha 19. Jovem, porém ansioso por realizar algo que beneficiasse os menos favorecidos. Desde pequeno, conta que participava das entregas de balas, pirulitos e brinquedos que outros grupos faziam. “Cada ano que passava, eu alimentava mais a ideia de criar tal projeto para ajudar a levar alegria às crianças de nossa cidade”, recorda.

A ajuda para o primeiro ano veio de amigos e alguns familiares, arrecadando pouco mais de 40 quilos de balas e pirulitos. Em 2016, já estavam com a quantia de 200 quilos de doces. “Nosso voluntariado é grande e envolve pessoas de várias cidades, como Alvorada, Porto Alegre, Canela, Gramado, Santa Maria, Morro Reuter, Taquara e Três Coroas”, reforça. A lista passa de 100 colaboradores espalhados pelo estado.

As atividades dos voluntários ocorrem em todos os bairros do município, partindo do CTG Os Tauras da Colina, no Viaduto, na manhã do dia 25 de dezembro em carreata. De carro aberto, a música natalina e as buzinas vão avisando a aproximação do Papai Noel. Fabio conta que os idosos ficam tão felizes quanto as crianças. Com o passar do tempo, a iniciativa foi recebendo importante apoio de Gabriele de Oliveira – noiva de Fabio –, Oberdan Kieling, Cintia Boes, Vinicius Ariel, Rogerio Rocha, Susamara Anchieta, Arlindo Rocha e Celita Rocha. Este ano, o projeto não fará a 6ª edição por falta tempo a alguns integrantes da equipe.

Os pedidos de doações são sempre feitos em balas e pirulitos, e nunca dinheiro. No entanto, aqueles que, por falta de tempo, apenas conseguem ajuda financeira, são divulgados pelas redes sociais, como forma de prestar contas. Cada voluntário também ajudava a buscar novos doadores, colaborando com a quantia de R$ 50 em produtos. “Fizemos novas amizades e conquistamos nosso espaço na cidade”, conta Fabio, lembrando que a iniciativa inspirou outros a promover o Natal a crianças carentes.

Fabio também já vestiu a roupa de Papai Noel, na época, emprestada por um amigo. Depois, a família adquiriu um traje sob medida para ele, que também recebeu a doação de um coturno de um policial rodoviário de Gramado. A primeira vez, conta ter sido emocionante. “Era um dia de céu limpo e sol muito forte”, recorda. “O calor quase derrubou todos, as fantasias eram grossas e pesadas, não dava para respirar direito.” Com pouca quantia de balas e pirulitos, passaram, mesmo assim, em todos os bairros, mas sem conseguir atender todas as crianças.

A maior recompensa do voluntariado, conforme Fabio, é ver o sorriso dos pequenos. “Nossa equipe sempre foi forte e unida, nosso grupo, o único na cidade a contar com Papai e Mamãe Noel”, destaca. Para ele, o Natal é traduzido em apenas uma palavra: magia! “Está presente em tudo, no amor, na alegria, na felicidade, na emoção e na paixão por fazer parte de algo tão bacana, como o nosso projeto.”