Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 24 de agosto de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Os normais

E a turma do mensalão nega a existência do esquema, mas admite em sua defesa “apenas” o uso de dinheiro não contabilizado, ou seja, o caixa 2, como se isso por si só não fosse crime. Sinceramente, assim não dá!
Falando sério, chega de ouvir que é assim mesmo, que o ser humano não tem jeito, que todos agem igual quando chegam ao poder, que fulano rouba mas faz, que foi só um desvio para o caixa 2 da campanha eleitoral, que isso não é nada diante de outras falcatruas que o Brasil já presenciou, etc. Por favor, basta de hipocrisia.
Deveríamos, no mínimo, exigir transparência e honestidade de quem nos representa em cargos públicos e é pago com o dinheiro dos nossos impostos. Caso contrário, rua. Cai fora e elege outro. Nada de escolher o menos ruim. Os eleitos precisam ser os melhores, ao menos em cidadania e respeito para com os brasileiros que os colocam no poder.
Chega de fingir que é normal ser ladrão. Não é, em circunstância nenhuma. Comece olhando para suas próprias atitudes e depois me diga o que é normal. Burlar a lei, passar no sinal vermelho, sacanear o colega de trabalho, usar o patrimônio público e privado em benefício próprio, furar a fila do supermercado, dar carteiraço, obter favorecimentos ilícitos e demais atitudes pouco nobres no dia a dia podem revelar muito da personalidade e da índole de quem nos cerca. São pequenos atos que já deixam claro as intenções de quem quer, de alguma maneira, levar vantagem em alguma coisa.
Isso não é “privilégio” apenas de políticos. Eu me deparo todos os dias com gente sacana que adora se dar bem a qualquer custo e acho que pertencem à mesma categoria dos corruptos, dos que roubam mas fazem (ou não, na grande maioria dos casos). Tudo faz parte de um mesmo contexto, guardadas as devidas proporções, dirão alguns. Pois eu entendo que, em menor ou maior grau, má fé e malandragem é uma coisa só em qualquer lugar do mundo. O resto é conversa para boi dormir.
Portanto, meu amigo, se você pertence à turma do caixa 2, em todos os sentidos, e acha que isso é normal, é melhor cantar em outra freguesia ou buscar voto em outro reduto eleitoral. Lamento, mas meu voto não vai para o menos ruim e minhas amizades são alicerçadas em outros valores.
Candidatos, políticos ou cidadãos comuns, em qualquer situação, não são iguais em gestos, em atitudes, em caráter e em educação. Por isso, precisamos estar atentos para não cairmos no conformismo absurdo, aceitando como “normal” essa vergonha escancarada que impera por aí. Assim não dá!

Roseli Santos
Jornalista

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply