Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br
Publicado em 27/01/2020 21:42 Off

Do “Meu cinicário” – Trágico é eu, trabalhador, não fumante, quase abstêmio, seguidor das leis, ser responsável pelos crimes desses bandidos. Trágica Sociologia!

OS PERSEGUIDOS

 Existe uma estirpe de pessoas que, ó, tristeza, nasceu para ser perseguida pela sociedade. Quem, entre os leitores, concordou comigo, sem antes saber um pouco mais da identificação desses sofredores, talvez tenha alguma decepção, quando for revelado o motivo destas mal tecladas linhas. Muitos logo pensaram nos “oprimidos” lá da pedagogia do Paulo Freire. Logo lhes veio à mente a eterna luta entre o Bem e o Mal, com seus disfarces usuais de pobres ou ricos. Assim, nesta ordem! Porém não é, exatamente, disso que estou tratando. Pelo contrário! Falo de gente, dividida em bons ou maus, também nesta ordem. Apesar de todas as nossas crenças religiosas ou ideológicas, a maldade e a bondade não estão atreladas, necessariamente, à quantidade de dinheiro possuída por uma pessoa. Esses conceitos são explorados por maus, ainda que fantasiados de bons. Estou parecendo muito filosófico? Tentarei explicar.

Cada um de nós conhece pessoalmente, ou de ouvir falar, alguém oriundo de família muito pobre que, com o passar dos anos, conseguiu amealhar riqueza. Nem precisa classificar como “enorme fortuna”, pois, para o nosso exemplo, fortunas de qualquer tamanho servem. Diga-me cá, vocês já escutaram comentários do tipo “esse aí roubou muito”. E, com esse veredito, vem o pensamento: sem nunca ajudar ninguém. Claro, muita gente sofre grande atração pelas atividades de governo por uma razão simples: ela dá acesso à dinheirama carente de um dono vigilante, tornando mais fácil pôr-lhe as mãos, fugindo às tentativas de punição. Na economia privada também se encontram malvadinhos, fazendo suas peripécias nada honestas. As duas categorias têm uma terrível tendência simbiótica: uma não vive sem a outra. A pública cria situações ideais para a privada pagar, quietinha, o pedágio exigido. E ambas se esbaldam, livres de pudores, num romance desavergonhado.

Mas onde entra a perseguição feita a esses coitadinhos? Simples! Quando apanhados, basta rotular-se de “perseguidos políticos”. É, no sentido moral, a mais barata e vulgar das justificativas para seu comportamento. Na realidade, nesses conluios, todos são pecadores. E o pior, conseguem defensores enraivecidos entre nós, suas vítimas.

Você conhece algum perseguido político passando fome?

Por Plínio Dias Zíngano
[Leia todas as colunas]

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: jornalismo@radiotaquara.com.br