
Os Robôs da Pandemia
Durante esse período complexo que estamos vivendo, presenciamos diversas alterações no nosso cotidiano que sempre pareciam próximas a ocorrer, mas sempre faltou algo para dar o pontapé inicial. Talvez a pandemia tenha sido o pontapé que precisássemos para inserir robôs no nosso cotidiano e não só apenas em fábricas e eventos científicos.
Se por um lado boa parte da população tenha sido apresentada ao home office e precise ficar em casa para evitar o contágio, robôs tem tomado espaço em cidades pelo mundo. Esses robôs auxiliam na entrega de remédios e comida, também auxiliam pacientes em hospitais de campanha e outras áreas médicas onde o risco de contaminação e número de enfermeiros é limitado para o atendimento. Em casos mais curiosos, servem como serviço de aviso, indicando áreas restritas para a população ou monitorando e informando a polícia sobre casos de aglomeração ou identificando possíveis infectados.
Embora esses casos polêmicos que ocorrem em Hong Kong e Singapura possam parecer negativos, eles servem para pensarmos nos limites de privacidade em momentos de crise (e no pós crise se forem mantidos em serviço) e no quanto esses mecanismos podem servir para controle da população. Fica a questão: Qual a prioridade em momentos de crise? Em manter a ordem e a segurança da população frente a uma pandemia que lota hospitais e mata indivíduos diariamente ou na privacidade de indivíduos que, mesmo seguindo as restrições criadas para sua segurança, será vigiado e talvez seja injuriado pelo sistema que ainda não foi aperfeiçoado a ponto de compreender a necessidade de sair de casa para realizar determinadas tarefas não imaginadas pelo sistema de monitoramento, como comprar ferramentas para arrumar uma mesa.
Além de casos que abordam questões de segurança e privacidade, também observamos casos onde leis talvez devessem ser revistas para tempos excepcionais. Basta lembrar das leis criadas para controle do espaço aéreo e utilização de drones, que limitam a utilização de drones para perímetros urbanos, em especial em zonas próximas a aeroportos. Obviamente, a utilização de drones nas proximidades de aeroportos é arriscada porém, num período onde aeroportos estão fechados e existe uma necessidade de transportar produtos para pessoas isoladas em suas residências, toda automação é bem vinda. Na Irlanda, uma empresa tem utilizado transporte aéreo através de drones para entregar remédios para a população mantendo a pessoas mais sensíveis aos efeitos do COVID 19 fora de perigo. Mesmo nesse caso, vale ressaltar que o serviço funciona apenas em cidades do interior da Irlanda, onde a população é menor, leis são mais de restrição de drones não foram pensadas e também onde a população idosa (os mais atingidos pela doença) é maior. Mais próximo do Brasil, podemos observar os testes da Rappi, empresa de entrega de refeições que tem testado o uso de robôs terrestres para entregar encomendas para clientes. A Rappi tem tirado proveito da diminuição drástica de pedestres para realizar testes com os robôs. Num período onde o setor de entregas está em sobrecarga, a utilização desses robôs poderia ser uma saída para reduzir as chances da doença se espalhar entre os trabalhadores que entregam mantimentos a toda população. Se no momento estamos apenas observando nossas falhas ao não pensar em um sistema automatizado que auxiliaria a todos durante um momento de crise pandêmica, ficará a lição de que é necessário pensar num futuro onde robôs serão nossa única forma de manter a sociedade em funcionamento.


