Informática
Esta postagem foi publicada em 29 de maio de 2020 e está arquivada em Informática.

Os Robôs da Pandemia, por Guilherme Schirmer da Costa

Os Robôs da Pandemia

Durante esse período complexo que estamos vivendo, presenciamos diversas alterações no nosso cotidiano que sempre pareciam próximas a ocorrer, mas sempre faltou algo para dar o pontapé inicial. Talvez a pandemia tenha sido o pontapé que precisássemos para inserir robôs no nosso cotidiano e não só apenas em fábricas e eventos científicos.

Se por um lado boa parte da população tenha sido apresentada ao home office e precise ficar em casa para evitar o contágio, robôs tem tomado espaço em cidades pelo mundo. Esses robôs auxiliam na entrega de remédios e comida, também auxiliam pacientes em hospitais de campanha e outras áreas médicas onde o risco de contaminação e número de enfermeiros é limitado para o atendimento. Em casos mais curiosos, servem como serviço de aviso, indicando áreas restritas para a população ou monitorando e informando a polícia sobre casos de aglomeração ou identificando possíveis infectados.

Embora esses casos polêmicos que ocorrem em Hong Kong e Singapura possam parecer negativos, eles servem para pensarmos nos limites de privacidade em momentos de crise (e no pós crise se forem mantidos em serviço) e no quanto esses mecanismos podem servir para controle da população. Fica a questão: Qual a prioridade em momentos de crise? Em manter a ordem e a segurança da população frente a uma pandemia que lota hospitais e mata indivíduos diariamente ou na privacidade de indivíduos que, mesmo seguindo as restrições criadas para sua segurança, será vigiado e talvez seja injuriado pelo sistema que ainda não foi aperfeiçoado a ponto de compreender a necessidade de sair de casa para realizar determinadas tarefas não imaginadas pelo sistema de monitoramento, como comprar ferramentas para arrumar uma mesa. 

Além de casos que abordam questões de segurança e privacidade, também observamos casos onde leis talvez devessem ser revistas para tempos excepcionais. Basta lembrar das leis criadas para controle do espaço aéreo e utilização de drones, que limitam a utilização de drones para perímetros urbanos, em especial em zonas próximas a aeroportos. Obviamente, a utilização de drones nas proximidades de aeroportos é arriscada porém, num período onde aeroportos estão fechados e existe uma necessidade de transportar produtos para pessoas isoladas em suas residências, toda automação é bem vinda. Na Irlanda, uma empresa tem utilizado transporte aéreo através de drones para entregar remédios para a população mantendo a pessoas mais sensíveis aos efeitos do COVID 19 fora de perigo. Mesmo nesse caso, vale ressaltar que o serviço funciona apenas em cidades do interior da Irlanda, onde a população é menor, leis são mais de restrição de drones não foram pensadas e também onde a população idosa (os mais atingidos pela doença) é maior. Mais próximo do Brasil, podemos observar os testes da Rappi, empresa de entrega de refeições que tem testado o uso de robôs terrestres para entregar encomendas para clientes. A Rappi tem tirado proveito da diminuição drástica de pedestres para realizar testes com os robôs. Num período onde o setor de entregas está em sobrecarga, a utilização desses robôs poderia ser uma saída para reduzir as chances da doença se espalhar entre os trabalhadores que entregam mantimentos a toda população. Se no momento estamos apenas observando nossas falhas ao não pensar em um sistema automatizado que auxiliaria a todos durante um momento de crise pandêmica, ficará a lição de que é necessário pensar num futuro onde robôs serão nossa única forma de manter a sociedade em funcionamento.

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