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Pai de jovem morto em Igrejinha contesta versão da ex-namorada e pede justiça: “É um absurdo ela estar solta”

Clóvis Müller questiona alegação de legítima defesa e pede investigação rigorosa sobre o crime e o desaparecimento de bens do seu filho
Clóvis Müller, pai da vítima (Foto: André Amaral/Rádio Taquara)

A morte de Micael Douglas Müller, de 28 anos, na madrugada de terça-feira (10), em Igrejinha, segue cercada de questionamentos. O jovem foi esfaqueado dentro da própria casa, no bairro XV de Novembro. A suspeita do crime é sua ex-namorada, que alegou legítima defesa. Após prestar depoimento, ela foi liberada e responde em liberdade. Leia aqui a versão da defesa da investigada.

Em entrevista à Rádio Taquara, o pai da vítima, Clóvis Müller, servidor público em Taquara, deu sua visão sobre o que foi apurado até o momento pelas autoridades. Além de expressar a dor pela perda do filho, Clóvis contestou a versão apresentada pela investigada, relatou o histórico conturbado do relacionamento e cobrou justiça.

“Seis facadas, não é legítima defesa, isso não existe. Dá seis facadas em um lugar só, só no peito. Rasgou o peito dele”, desabafa.

Clóvis relata que, dias antes, o filho já demonstrava estar no limite. “Ele chegou ao ponto de dizer pra mim: ‘Eu não sei mais o que eu faço com ela. Ela não me deixa um minuto, se eu sair com meus amigos ela tá atrás, se eu ir num lugar ela tá me perseguindo o tempo todo. Eu vou ter que sair da lavagem [o filho gerenciava um lava-rápido], não tô conseguindo trabalhar”.

O relacionamento

Segundo Clóvis, o relacionamento entre Micael e a mulher investigada durou um ano e três meses, marcado por constantes idas e vindas. Mesmo após o término, eles teriam se reaproximado pouco tempo antes do crime. O pai afirma que, nesse período, o comportamento da mulher era possessivo e controlador, chegando a persegui-lo, não permitindo que ele saísse sozinho ou se encontrasse com amigos sem ser seguido.

Para Clóvis, o sentimento agora é de indignação e um apelo firme por justiça. Ele afirma que a ex-namorada de Micael não apenas cometeu o crime, mas também fugiu do local, deixando o corpo trancado dentro da casa durante horas, sem possibilidade de socorro.

“O que ela fez foi matar, roubar, deixar o corpo do meu filho lá desde as duas da manhã até as 11 horas”, lamenta. Segundo ele, a suspeita ainda levou o celular da vítima, o que teria inviabilizado um pedido de ajuda. “Mesmo se quisesse sair, ele não conseguiria”.

Clóvis também rebate insinuação de agressividade por parte do filho, destacando o depoimento de uma ex-namorada que conviveu com Micael por seis anos: “Ela nos disse que ele nunca levantou a mão para ela. Era um dos guris mais tranquilos do mundo”.

A noite do crime

Imagens de câmeras de segurança mostram que a mulher chegou à casa de Micael por volta das 23h da segunda-feira (9) e saiu às 2h da manhã. Segundo a Polícia Civil, a investigada afirmou que foi chamada pelo ex para uma conversa, e que, durante o encontro, foi agredida e ameaçada de morte. Afirmou, então, ter se defendido com uma faca, atingindo o peito da vítima.

Clóvis contesta essa versão: “Se ela se sentia ameaçada, por que foi até lá? Ela podia ter saído correndo. Mas pegou uma faca e enfiou no peito dele? Isso é estranho demais.”

O corpo de Micael foi encontrado na manhã seguinte por um amigo, que estranhou sua ausência na academia e foi até sua residência. Ao chegar, já encontrou o local isolado pela polícia. Segundo Clóvis, ninguém da polícia havia avisado a família até aquele momento.

Suspeitas de roubo

Além do crime, a família denunciou o desaparecimento de objetos de valor. “Sumiram o celular, a carteira, braceletes de ouro, colares, a chave do Audi [um dos veículos de propriedade da vítima]. Isso já foi comunicado à polícia”, afirmou Clóvis.

Medida protetiva e questionamentos

A mulher havia registrado uma ocorrência contra Micael no dia 2 de junho, alegando perseguição, e obteve medidas protetivas. Clóvis, no entanto, diz que ela mesma violou a ordem judicial ao ir até a casa dele. “Se ele não podia se aproximar, por que ela foi até lá? Isso não está certo”.

Rumores após o crime

Clóvis também refutou boatos que surgiram após a morte do filho, de que ele estaria envolvido com drogas. “A renda dele vinha do posto de lavagem, da loja online e também de investimentos em bitcoins. E isso rendia bem, muito bem mesmo. Ele morava sozinho em Igrejinha, numa casa alugada. Tinha dois carros: um Civic e um Audi. A chave do Audi, inclusive, desapareceu de dentro da casa. Nunca foi encontrada”, disse o pai.

Sobre passagens do filho pela polícia, Clóvis alega nunca ter sabido de nada. “Se teve, nunca chegou ao meu conhecimento. Se eu pudesse definir meu filho, eu diria que ele nunca respondeu uma palavra atravessada pra mim. Nunca. Era um guri muito tranquilo. Um excelente filho. Só que agora não volta mais”.

Revolta com a liberdade da investigada

Para Clóvis, a maior dor, além da perda, é saber que a mulher está solta. “Ela matou, roubou, deixou o corpo do meu filho trancado. E está por aí como se nada tivesse acontecido. Isso não pode acontecer. Tem que ter justiça. Eles não podem deixar ela solta. Ela é um monstro, tá na rua solta, não tem como deixar uma pessoa assim”.

O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Polícia de Igrejinha. A mulher responderá ao processo em liberdade, enquanto a Polícia Civil apura as circunstâncias do crime e os elementos apresentados pela defesa e pela acusação.