Enquanto iniciativas para a legalização da prestação de serviços de natureza sexual trancam no Congresso Nacional, como o projeto de lei Gabriela Leite, que amanhã completa dois anos de apresentação, profissionais do sexo continuam sustentando a si e à dependência química excluídos normativamente. Desamparados, contam com o apoio de movimentos sociais e de políticas que funcionam timidamente. Nesta reportagem especial, Panorama acompanhou por alguns dias a rotina de Maria (foto)*, garota de programa do Vale do Paranhana. Em três edições, conheceremos a vida e rotina, os desafios e preconceitos e as dificuldades para a consolidação dos direitos civis da categoria dela.
ROTINA SAGRADA
Cinco horas da madrugada. O despertador irrompe o silêncio e acorda Michele, 32 anos. Ela levanta, vai ao banheiro, limpa o rosto. Em seguida, passa a vassoura na casa, lava roupas, organiza os mobiliários e prepara o almoço. Nove horas da manhã, com a comida pronta, Michele almoça no lugar de tomar café. Assim que saciada, termina qualquer serviço que ainda reste e apronta-se para ir trabalhar. Nada de maquiagens fortes, saias coladas, sapatos de salto alto, calcinha ou sutiã à mostra. Prepara-se para a labuta como qualquer mulher da cidade de Parobé, polo calçadista, arruma-se para ir à fábrica: estilo esportivo, de tênis, camiseta e calça jeans ou legging. Pouco antes das 9h30min, sai de casa e anda a pé cerca de mil e setecentos metros ao local em que, sagradamente, de segunda a segunda-feira, prostitui-se até as 17 horas. Enquanto caminha, observa atenta os carros que passam durante o trajeto, tentando reconhecer um possível ex-cliente.
Conheça mais sobre esta realidade na edição impressa do Panorama de 11 de julho. Nas bancas!


