Cultura e Lazer

Papai Noel motociclista e gaudério

Família se une para iniciativa social no Natal de Taquara.
Paulo e a filha Paola, quando criança, em muitos dos Natais em família. Divulgação

A motocicleta CG 125 utilizada para trabalhar com anúncios de rua por Paulo Francisco Ew, 52 anos, ganha missão especial com a aproximação do final de ano. A caixa de som fixada na garupa é embrulhada em papel de presente e, na condução do veículo, Papai Noel troca as famosas renas pelo som motorizado sobre duas rodas. É assim há 19 anos, quando Paulo, por iniciativa própria e com o apoio da mulher Rita Lúcia de Souza, com quem está casado há 27 anos e tem a filha Paola Souza Ew, 17 anos, decidiu incorporar o “bom velhinho”.

A primeira vez como Papai Noel foi quando ainda morava com a esposa em São Francisco de Paula, de onde é natural. A companheira lembra que o casal havia perdido três filhos ainda durante a gestação. Como sempre gostaram de crianças, decidiram fazer algo por elas. Rita, mesmo sem ser costureira, confeccionou a primeira roupa com tecido comprado por eles. A máscara foi adquirida em Porto Alegre. Caracterizado, Paulo relembra que os vizinhos passavam por ele na rua, mas não o reconheciam. Também recorda a alegria das crianças, desacostumadas a ver aquele tipo de figura por lá, ao receber as balas que fez questão de entregar na mão de cada uma.

O roupeiro do Papai Noel tem três casacos, dois pares de luva, cinto, bengala, sino, bombacha e bota de couro, como típico gaúcho serrano. A ação é realizada em bairros mais carentes de Parobé, Igrejinha, Taquara e São Francisco de Paula. “Sempre fiz por conta, mas quem quiser, pode ajudar”, fala, ao divulgar o telefone 9967.32194 para quem estiver interessado em doar balas. Quando tinha restaurante, já em Taquara, contava com apoio de fornecedores. Na frente do estabelecimento, instalava brinquedos para a criançada se divertir. Também faz apresentações para entidades e empresas, cobrando o cachê em doces para distribuir no Natal.

Quando coloca a roupa, entra no personagem, contando que “peço a Nossa Senhora Aparecida e a Deus que me iluminem, agradecendo pela oportunidade”. O calor embaixo da fantasia é superado pelos abraços, beijos e sorrisos conquistados durante o trajeto. “O sorriso de orelha a orelha das crianças é lindo de ver. Não tem dinheiro que pague”, salienta. Na abertura do Natal Mágico de Taquara, chamou a atenção da plateia junto ao Consulado Colorado.

Sempre fez os trajetos de motocicleta, com o saco de balas no tanque de gasolina. Carro apenas quando está chovendo ou a família desejar participar. O encantamento da filha pela disposição do pai em promover a iniciativa extravasa. “Tenho muito orgulho dele”, afirma, lembrando que “a partir do momento que eu consegui subir na moto, queria acompanhar ele. Ficava brava quando não me levava junto”. Paola e Rita ajudam na montagem dos pacotes de doces. Compreensivas, as duas garantem não ficar magoadas por Paulo passar os dias 24 e 25 na rua, pois sabem que ele está fazendo o bem a outras pessoas. “Natal, para mim, é levar a felicidade para as crianças”, ressalta Paulo.

Rita, Paola e Paulo se unem para iniciativa social em Taquara. Especial/Katia Melo