Paralelas
Esta postagem foi publicada em 15 de maio de 2017 e está arquivada em Paralelas.

Para as não mães

O Dia das Mães é, comprovadamente, o evento de maior movimento e consumo no comércio, depois do Natal. Sinto um certo desconforto nessas datas, seja pelo bombardeamento massivo da mídia ou pela imposição do que quer que seja, em nome do “politicamente correto”, que causa constrangimento maior ainda aos que não se ajustam a essas demandas.

Especialmente no Dia das Mães, paira no ar e subliminarmente sempre aquela certa “obrigação” de dar presente e de “reconhecer” o que elas fizeram e fazem por nós, o que é “politicamente correto”, mas nem sempre recíproco ou verdadeiro, e muito menos necessário. Há quem valorize mãe e pai e avós e tios e filhos e sobrinhos todos os dias e, nem por isso, se sente nessa condição de ter que dar provas materiais e concretas disso, nessa ou em outras datas comemorativas.

Mas hoje eu também gostaria de lembrar daquelas mulheres que abdicaram da maternidade por opção. Simplesmente não querem filhos e, nem por isso, deixam de gostar de crianças e de amar suas próprias mães. Gente estranha, para alguns, sensata para outros, mas sempre vistas com uma certa desconfiança por quem fica matutando e tentando achar uma explicação para tal disparate, como se alguma coisa tivesse saído errado com essas criaturas.

Me incluo na tribo das estranhas ou sensatas ou esquisitas. Nunca quis ter filhos e, por isso mesmo, morrerei na condição de esposa, irmã, tia e filha, sem nunca ter sentido falta da maternidade.

Isso faz uma diferença, especialmente quando o bate-papo das amigas, algumas já avós, gira em torno da prole ou quando alguém te questiona o porquê de tal decisão ou quando ainda pensam que há tempo para “corrigir” essa trajetória, quem sabe adotando ou utilizando os modernos recursos da medicina.

E haja argumentos para justificar o injustificável a quem sonha ou já sabe a dor e a delícia de ser mãe, mas que considera “incompleta” uma mulher que abdica dessa condição.

Plenamente realizada na minha “não maternidade”, de comum acordo com meu marido, que também pensa da mesma maneira, tenho pelas crianças, pelos animais e pelos demais seres humanos (com exceção de alguns raros exemplares da espécie que é melhor nem citar) grande amor e carinho, reconhecido e dedicado, também, a essas abnegadas mães que fazem das tripas coração para ver seus filhos felizes e realizados.

E é para as mães, as não mães e para as que pensam em um dia ser mães que eu dedico a crônica de hoje, em homenagem ao dia delas, enfim, que transcorre no domingo, mas que pode ser comemorado a qualquer hora, simplesmente porque somos mulheres e carregamos na alma a essência do amor universal gerado pela mãe natureza.

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