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Para votar tranquilo: Justiça Eleitoral realiza teste e auditoria pública de urnas eletrônicas

Atividades aconteceram na manhã desta quarta-feira (24) no Cartório Eleitoral de Taquara
Votos foram registrados tanto na urna eletrônica, quanto em cédulas de papel. Fotos – Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Aconteceu, na manhã desta quarta-feira (24), a cerimônia pública de teste e auditoria de urna para o segundo turno das eleições 2018, que ocorre no próximo domingo (28). A atividade, aberta à comunidade, divulgada ontem no site do Jornal Panorama, foi realizada na sede do Cartório Eleitoral de Taquara e acompanhada por eleitores locais. Mediante uma dinâmica de votação, idêntica à que ocorre no pleito oficial, foram apresentados todos os dispositivos necessários para o funcionamento, computação e emissão de boletins das urnas eletrônicas. Além disso, foram simuladas situações questionadas como passíveis de fraude no primeiro turno das eleições deste ano.

Quem conduziu toda a dinâmica foram os servidores do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Roberta Gewehr Almeida e Rafael Carvalho Roggia. O juiz eleitoral da 55ª Zona Eleitoral, Rafael Silveira Peixoto – a qual pertence o Cartório de Taquara, respondendo também pelas cidades de Parobé, Riozinho e Rolante – também acompanhou parte da atividade. Peixoto destacou que as auditorias são procedimentos de rotina, feitos antes e depois de cada pleito. No entanto, principalmente em virtude da dimensão alcançada pelos boatos compartilhados nas eleições deste ano, a Justiça Eleitoral decidiu reforçar a divulgação destes procedimentos.

“É uma forma de promover a transparência do processo e provar que as urnas eletrônicas são seguras. Além de todo o trabalho que temos antes e depois de cada eleição, nos dispomos a atender o eleitor que se sente inseguro, registrar denúncias, e auditar cada detalhe. Realmente tivemos muitas ocorrências neste primeiro turno, cresceu a procura por informações, mas nenhum caso foi considerado procedente”, disse o juiz. Ele esclareceu que na maioria dos casos, o próprio eleitor se confunde com alguma informação e acaba interpretando erro da urna. “Se o eleitor votar, digitar os números dos presidenciáveis quando a urna pedir para votar nos governadores, por exemplo, o voto é considerado nulo, vice e versa. Outro caso que acontece é o eleitor votar num candidato de outro estado. Há uma série de situações, mas nenhuma configura fraude das urnas eletrônicas. Por isso é importante conscientizarmos o eleitor quanto à segurança dos equipamentos”, disse.

Teste e auditoria

Para a realização do teste e da auditoria, uma urna foi escolhida pelos eleitores que participaram do evento, de forma aleatória. Foram realizados inúmeros procedimentos – desde o momento em que a urna escolhida foi retirada da caixa e ligada – tais quais são feitos nas eleições oficiais. Verificou-se os códigos que demonstram a integridade das urnas e, a partir da constatação de funcionamento padrão, foi realizada a “votação”, chamada pela Justiça Eleitoral de “voto forçado”.

Não sendo nos dias de eleição oficial, apenas a tecla branca da urna é habilitada para emitir documento de funcionamento do equipamento. Foto – Jéssica Ramos/Jornal Panorama.

“A urna eletrônica está programada para funcionar, de fato, apenas na data e horário programado para as eleições. Quando ligada fora desta programação, a única função habilitada é a da tecla branca, que emite um documento informando se a urna está apta a funcionar no dia das eleições, ou não. Mas, para podermos fazer o teste e a auditoria, fazemos o voto forçado, ou seja, inserimos uma carga, uma mídia na urna, com as informações da eleição e ela libera as funções para a auditoria. É importante destacar que ao finalizar a auditoria esta urna recebe uma nova carga que zera o sistema novamente, para que apenas a tecla branca volte a funcionar. E, na eleição, estes procedimentos são feitos novamente, para que não haja dúvidas de que a urna não possui votos, ou qualquer dado alterado”, explicou Roberta.

A servidora também descreveu que as informações carregadas nas mídias que operam nas urnas (dispositivos semelhantes a pen drives) são todas conferidas e assinadas, seis meses antes da data das eleições, por autoridades convidadas e habilitadas pelo Tribunal Superior Eleitoral. “É um evento público, a lacração das urnas, onde as autoridades conferem os documentos e fazem a assinatura digital, garantindo que as informações são íntegras. Desta forma, as urnas vão reconhecer apenas estas informações. Qualquer código diferente, uma vírgula que seja, será acusado pelo sistema”, explicou.

Conforme demonstrado na auditoria, as urnas também carregam informações das respectivas sessões e zonas onde são instaladas, nas eleições. Desta forma, é impossível que um eleitor vote em locais diferentes do registrado pela Justiça Eleitoral. Sendo assim, a auditoria só é possível mediante a habilitação dos respectivos eleitores registrados. Porém, como nem sempre os eleitores comparecem nos eventos de testes, os servidores habilitam os nomes, excepcionalmente, para a auditoria, possibilitando que qualquer pessoa vote. A votação é realizada com os números dos candidatos oficiais, para garantir que o sistema processa o voto corretamente. São registrados de 30 a 40 votos, tanto na urna eletrônica, quanto em cédula de papel, para que ao fim do teste a contagem de ambos os registros seja confrontada. Votos brancos e nulos também são feitos e contabilizados no Boletim de Urna (BU).

Os eleitores, Daniela Fontes e Christian Fontes, participaram do teste. Aproveitaram a auditoria para uma pesquisa sobre a política da segurança da informação, que ambos estão fazendo no curso técnico de informática. Contaram que escolheram o sistema das urnas eletrônicas, justamente, pelo período eleitoral, e pelas polêmicas que envolvem o processo. Daniela disse que ficou convencida de que não há fraude. “Achei muito interessante, não apenas pela pesquisa, mas também como eleitora. Me senti segura vendo que todos os códigos são registrados e nenhuma informação diferente pode ser executada na urna eletrônica”, disse.

Todos os candidatos estavam registrados. Foto – Jéssica Ramos/Jornal Panorama.
Todos os candidatos estavam registrados. Foto – Jéssica Ramos/Jornal Panorama.
Todos os candidatos estavam registrados. Foto – Jéssica Ramos/Jornal Panorama.
Todos os candidatos estavam registrados. Foto – Jéssica Ramos/Jornal Panorama.
No teste, todos os votos possíveis foram feitos, incluindo, e contabilizando, brancos e nulos. Foto – Jéssica Ramos.