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Passageiros do transporte público de Parobé denunciam mau atendimento e desrespeito

Conforme a denúncia, um dos motoristas fuma no ônibus, sai do trajeto para abastecer e quase expulsou uma idosa do coletivo
“Hoje achei que o motorista iria tirar uma senhora do ônibus”, afirmou uma passageira.
Foto: Imagem Ilustrativa

Passageiros que utilizam o transporte público no município de Parobé contataram a redação do Jornal Panorama para denunciar o que acreditam se tratar de mau atendimento e, até mesmo, desrespeito por parte dos funcionários da Empresa Reis Vapt Vupt, que atua no município.

Conforme relatos de uma passageira, que utiliza diariamente as linhas da empresa para se dirigir ao trabalho, o desrespeito com os passageiros, especialmente com idosos, é constante. Ela afirmou ao Panorama que, nesta quinta-feira (22), uma idosa teria tentado entrar no coletivo e o motorista teria se negado a leva-la ao seu destino.

“Hoje achei que o motorista iria tirar uma senhora do ônibus. Eles – motorista e cobrador – não quiseram aceitar a carteirinha da idosa e disseram que ela teria que pagar a passagem. Ela disse que não tinha dinheiro, mas que a carteirinha dela era válida. Nisso, o motorista disse para ela: ‘ou paga ou desce’. Achei aquela situação um desrespeito com a senhora”, relatou a passageira. Ela pediu para não ser identificada, pois, já teria cobrado uma postura mais profissional de um motorista e foi xingada por ele.

Ainda segundo a passageira, alguns motoristas da empresa Vapt Vupt fumam dentro do coletivo, cheio de passageiros, enquanto estão dirigindo, o que é proibido, de acordo com a Lei 12.546, aprovada em 2011, mas regulamentada em 2014.

Não sendo o bastante, a mulher que fez a denúncia, relatou que já chegou algumas vezes atrasada no trabalho porque “do nada, o motorista sai do trajeto e entra no posto de combustíveis para abastecer. E nós, que temos horário para chegar, temos que ficar esperando o abastecimento para poder seguir viagem”.

A posição da Empresa Reis Vapt Vupt

O proprietário da empresa, Valdir Nelci dos Reis, relatou ao Jornal Panorama, que passa por uma situação complicada no município de Parobé. Conforme Reis, uma lei criada pelo ex-vereador Ivo Apollo do Amaral, há muitos anos atrás, que liberava carteiras de Passe Livre para idosos com menos de 65 anos, trouxe prejuízos que persistem até hoje. A referida lei foi trocada pela Lei 2323/05, no ano de 2005, o que adaptou as necessidades com a empresa, fazendo com que só fossem entregues carteiras a quem fosse maior de 65 anos.

Porém, segundo Reis, apesar de a lei estar em funcionamento desde 2005, os responsáveis pela Secretária de Assistência social do município continuaram entregando as carteiras aos idosos com menos de 65 anos. Isso teria provocado, com o passar dos anos, um aumento relevante de pessoas que não teriam direito ao benefício, mas, acabam usufruindo.

Ainda de acordo com o proprietário da empresa, segundo pesquisa, cerca de 45% dos passageiros da empresa não pagam a passagem. Reis afirma que, devido a esse grande número de passageiros que circula nos coletivos, sem pagar a passagem, não pôde efetuar investimentos nos veículos.

“Uma lei foi criada em 2005 para reduzir esse número, mas, seguiram entregando o Passe Livre nas administrações seguintes. Esse prejuízo é a empresa que está pagando. Infelizmente, em algum momento, terei que entrar na Justiça contra a Prefeitura de Parobé para que eu seja ressarcido. Afinal, não é justo que eu pague sozinho por esse prejuízo”, destaca Reis.

Em relação a reclamação da usuária do transporte, sobre os motoristas estarem fumando cigarros no interior dos coletivos, mesmo com passageiros, o proprietário da empresa afirma que, se alguém apresentar uma prova disso (como uma foto, por exemplo), Reis garante que irá demitir o funcionário por Justa Causa. Segundo ele, a empresa não aceita que ninguém faça uso de qualquer tipo de substância proibida no interior de seus veículos.

No tocante aos coletivos da empresa pararem em postos de combustíveis para abastecer, com passageiros em seu interior, Reis irá determinar que isso não mais aconteça. Ele informou que, devido não ter um tanque para estocar o combustível, precisa encontrar os postos que tenham um preço mais acessível. Mas, diante da reclamação, irá definir que o abastecimento seja feito antes que se tenha passageiros nos coletivos da empresa.

A posição da Prefeitura de Parobé

Conforme o secretário de Defesa Civil, Segurança, Mobilidade Urbana e Cidadania de Parobé, Carlos Freitas, com relação a empresa de transporte, a Reis Vapt Vupt oferece o serviço há muitos anos no município através de uma espécie de “permissão para operar”, celebrado em outra administração municipal, sem ter concessão e licitação.

Segundo Freitas, os estudos para a viabilidade de um Plano de Mobilidade Urbana, serão colocados em prática em cerca de 60 dias. Já sobre uma nova licitação, para que empresas interessadas em assumir o transporte público no município possam participar, iniciarão em um prazo de 120 dias.

Em relação ao transporte de idosos, o secretário informou que existe a Lei Municipal nº 2323/05, que entrou em vigor no ano de 2005. Antes disso, as carteiras para o Passe Livre de idosos eram entregues para pessoas com a idade mínima de 60 anos. No entanto, isso mudou.

“A Lei 2323 é baseada no Artigo 39 do Estatuto do Idoso, que diz ‘Aos maiores de 65 (sessenta e cinco) anos fica assegurada a gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos…’. Porém, apesar disso, pessoas com menos de 65 anos ainda tem essas carteirinhas, o que está sendo retirado de circulação aos poucos. Essas carteiras estão sem validade”, afirma Freitas.