Escrevo com certo atraso sobre os protestos contra o aumento das passagens em Porto Alegre, ocorridos, com sucesso, na semana passada. Fui a algum deles, acredito que o primeiro e, a primeira vista, não gostei do que vi. Mas, seguidos os desdobramentos, e as conjunturas favoráveis, me contradisse – ainda bem – e o protesto se alterou em seus meios e não em seus fins, alcançando-os, consequentemente. Não gostei do que vi, quando fui, não daquela aparente violência em relação aos bens públicos, demasiado privados há muito tempo, mas pelo segundo momento do protesto, que bloqueou a volta do trabalho para muitas pessoas, trabalhadores, atores muito mais prejudicados pelo aumento do que aquela grande maioria que pulava.
Outro fator, ainda que este seja inexorável e esteja ligado, intimamente, com o sucesso posterior das reinvidicações, é o envolvimento de vários partidos políticos na organização destas demandas. Enquanto organização não vejo problema. Enquanto aproveitamento futuro, vejo muitos, muitos, problemas. No entanto, como escrevi, isso é inexorável.
Outro fator que achei bastante interessante, no sentido de estranhamento e não de positividade, foi as várias moções que saíram de pequenas cidades, inclusive Taquara, em apoio ao grande representante – do momento – de nosso atraso constitucional, político e relacional (também político), Marco Feliciano. Somente pelo fato de ser um representante, integrante, de alguma Igreja ou instituição religiosa, que, obviamente, não representa a totalidade dos brasileiros, ele não poderia ocupar a cadeira que atualmente ocupa. Comissão de Direitos Humanos. Direitos Humanos! Criação francesa oriunda da Revolução de 1789 que representam uma ideia de totalidade. Do homem, enquanto ser, enquanto ser humano.
Os Direitos Humanos são objeto de um debate intenso que demonstra nossa incapacidade de equacionar discursos. Não conseguimos reproduzir e produzir algo que transcenda as meras picuinhas diárias, de ordem burocrática e patrimonialista, e realizar o desejo de Kant. Ter a coisa em si. A perfeição de uma forma. Os Direitos Humanos, nesse sentido, são uma tentativa de equacionar uma ideia de unidade, que luta, atualmente, por incluir as minorias em um processo, visão do todo e não do individual, ao mesmo tempo em que atendem outros desejos, também de ordem estapafúrdia. As críticas decorrentes dessa dicotomia, ao menos contra uma parte da representação dos Direitos Humanos que acaba se transformando numa crítica a eles em si, é geralmente reacionária, conservadora e extremamente bélica, quando pode. Lados, novamente.
Bruno Marques
Graduando de Ciências Sociais, de Taquara


