Conte um pouco mais sobre sua história: Sou filho do Vale do Paranhana. Morei 14 anos em Taquara, depois fui morar três anos em Igrejinha e em Três Coroas residi dois anos. Retornei a Taquara com meus pais, depois fui morar na Armação – Florianópolis, onde estava até uns meses atrás.
Conte-nos de sua relação com Taquara: Taquara é minha cidade natal, onde nasci e cresci. Precisamente no bairro Petrópolis. Infelizmente, nossa cidade, em termos culturais para os jovens, é muito carente. Principalmente no que se refere a eventos abertos, intervenções culturais, espaço dentro de eventos artísticos da cidade. Foi a partir desse pensamento que, eu e mais três amigos, o Lucas Blumm, o Fernando Spok e o Júlio Padilha resolvemos criar o “Domingo Solidário”, em 2011. Depois, com mais apoio, transformamos no Cultura Solidária. Hoje em dia, eu e o Lucas ainda estamos fazendo e desenvolvendo. Por ser natural daqui, acreditar que todo cidadão pode fazer a cidade melhor, sinto uma obrigação interna minha de fazer e ajudar o próximo, apesar de nossos apoios serem bem carentes. Mas isso é um detalhe, ao poucos estamos conquistando o reconhecimento desse trabalho.
A sua atividade profissional é para você: A oportunidade de trabalhar com música e produção cultural permite ajudar o próximo, seja através de doações, ou mesmo espaço para expor um som próprio e fomentar a intervenção entre os jovens. Favorece a questão de poder se reunir com outras pessoas, receber as ideias delas, assim saímos da zona de conforto e de dentro dessa ‘bolha’ que nos foi colocada. E, claro, para mim tem uma soma interior linda, me sinto muito bem em ver que todo trabalho deu resultado positivo, seja em um amigo, uma criança ou uma família que receba a doação.
O que eles falam sobre o jovem não é sério? Infelizmente, não somos levados muito a sério. Ainda. Uns dizem que é porque não temos experiências de “vida” para poder fazer algo ou desenvolver, acredito que isso vem de um padrão muito antes de nós. Mas que atrapalha, em pleno século 21, ver gente que pensa pequeno assim, é triste. Somos nós que faremos o futuro, as crianças são o futuro. Falam que as gerações estão perdidas, mas quantos da geração anterior se preocuparam em melhorar para as próximas?
O que gosta de fazer no tempo livre? Escutar música, sair com minha namorada, fazer artesanato, ir às cachoeiras e ver os amigos.
Uma frustração: a política brasileira.
Livros: Xamã Urbano e Fortaleza Digital.
Filme: O Segredo do Ego, Matrix e As aventuras de PI.
Uma personalidade: Eduardo Marinho.
O que você gosta de ouvir: RAP, Reggae e psytrance.
Quem você tem como exemplo? Meus pais, minha avó e os índios.
Seu maior sonho: Ver um mundo melhor para todos, sem desigualdade social e nem racial. E viver de projetos e da música.
Deixe uma mensagem aos leitores do Panorama: Busque seus sonhos, mesmo se falarem que vai ser difícil. Nada é fácil no mundo de hoje, mas se acreditarmos e lutarmos, sem vaidade e sem ego, conseguiremos qualquer coisa.


