Inspirada e motivada pela publicação de Renato Konrath, amigo virtual que reside há muitos anos longe de Taquara, venho tecer algumas considerações sobre o tema, mas sem qualquer pretensão de esgotar a matéria ou impor uma verdade absoluta. Afinal, não sou autoridade no assunto; não sou proprietária de imóvel histórico; sequer Taquarense nasci. Expresso-me apenas como uma “alienígena” apaixonada pelo patrimônio taquarense, servidora pública, estudante, integrante de conselho municipal e OSCIP voltados à tutela do patrimônio cultural.
A primeira consideração é que todas as vezes que falei e ouvi falar nos imóveis históricos foi associada a questão dos proprietários e a necessidade de inseri-los na discussão das políticas públicas voltadas à tutela dos valores culturais que possuem.
A segunda consideração é que também posso testemunhar que, pelo menos, desde 2003, quando começaram as reuniões para tratar do Plano Diretor, as pessoas se reúnem e realizam atividades conjuntas para que a população valorize seu patrimônio. Durante a votação do Plano Diretor, em 2006, essa participação tomou corpo e fez importantes avanços com a delimitação da Zona de Potencial Histórico e Turístico no Município.
Graças à FACCAT e à coordenação do seu curso de História, juntamente com seus alunos e o Ministério Público, foi realizado, em abril de 2007, um evento chamado “No Caminho do Trem: Patrimônio Cultural e Desenvolvimento” (http://www.mp.rs.gov.br/atuacaomp/noticias/id10895.htm), em homenagem a Taquara e com vistas, principalmente, a chamar os proprietários de imóveis antigos. Aqui devo apontar especificamente meu amigo virtual Renato Konrath, pois ele irá se lembrar do convite que lhe fiz na ocasião. Importante salientar que o grupo de trabalho para o evento estava muito focado em chamar os proprietários, tendo elaborado uma relação dos imóveis e buscado entregar pessoalmente os convites para o evento, que também teve ampla divulgação na mídia local. Contudo, embora pessoalmente convidados, pouquíssimos proprietários de imóveis antigos compareceram. Ao final do evento e nas oportunidades seguintes de sua divulgação, disponibilizamos nomes, telefones e e-mails para contatos posteriores com vistas a incluir os proprietários no estudo de alternativas para aliar a tutela ao desenvolvimento. Não se logrou um número mínimo que viabilizasse a manutenção do grupo.
Por isso, embora entenda e, até, compartilhe da indignação dos proprietários, devo contestar veementemente a alegação de que eles são esquecidos ou ignorados pelas autoridades e “militantes”.
Vim aqui, então, não só para testemunhar que os proprietários não foram e, muito menos, são ignorados, mas para dizer que precisamos de mais ação coletiva e menos gritaria individual. Que bom que um proprietário veio a público lançar o tema. Seja bem-vindo!! Penso que é assim que se constrói um legítimo debate, tornando públicas as opiniões e, principalmente, as ações.
A tutela do patrimônio cultural não se efetiva nem legitima sem a participação de todos: autoridades, proprietários, militantes, cidadãos em geral. Cada segmento é essencial e tem seu valor próprio, nem maior ou menor; todos com o mesmo grau de importância na definição das políticas públicas. Acredito que a tomada de consciência dessa pequena verdade seja o passo fundamental em direção ao caminho do desenvolvimento sustentável, que todos almejamos.
Cristina Mansueti


