Penso, logo insisto
Esta postagem foi publicada em 29 de setembro de 2017 e está arquivada em Penso, logo insisto.

PEDINDO DESCULPAS

Do meu Cinicário – É triste ver que tanta gente precisa roubar e matar para mostrar à sociedade o seu bom comportamento. Veja os presidiários, por exemplo!

Tenho passado por maus momentos eletrônicos. Antes de alguém pensar em comunicar a polícia, na tentativa de me livrar de algum bandido, esclareço: esses péssimos momentos são provocados, justamente, por problemas de comunicação. Não com a polícia, é claro! É com determinados equipamentos de comunicação. Confesso, tenho sentido muita dificuldade em lidar com celulares. Meus leitores sabem, pois nunca neguei. E aqui entram os maus momentos referidos. Ou você nunca se sentiu deslocado no meio dos seus amigos, colegas e familiares, por não saber operar um banal telefonezinho celular? Oquei, o “banal” fica por conta da popularidade do aparelho; de banal, eles, na verdade, não têm nada. Pelo contrário, são produtos de altíssima complexidade tecnológica com a consequente necessidade de preparo por parte de seus pretensos operadores. Pelo menos, algum preparo!

Lembro da noite de inauguração da ponte de concreto entre Taquara e Parobé, em substituição à ponte de madeira, na estrada velha, ligando as duas cidades. Em determinado ponto da cerimônia, enquanto discursava o Secretário de Educação de Parobé, por coincidência, atual secretário de Taquara na mesma pasta, o professor Edmar, um telefone começou a tocar insistentemente, perturbando o silêncio da audiência e a fala do orador. Adivinhem quem era o dono do barulhento intrometido! Tenho vergonha de confessar, mas, só para facilitar, digamos que era eu. Havia colocado o aparelho no bolso interno da jaqueta e esquecido dele. Foi quando começou! Algumas pessoas, ao meu redor, alertavam que meu telefone estava dando sinal de chamada. Para não entregar minha estupidez, fiquei firme, implorando, mentalmente, o fim daquele momento incômodo. Sabem por que eu próprio não dei um basta à tortura? Fácil: ignorava como desligar. Por não saber mexer no celular, criara uma situação bem constrangedora.

Assim tem sido ao longo do tempo. O episódio da ponte foi há quase dez anos e – embora tenha aprendido a silenciá-los – ainda me enrolo com esses fabulosos computadores de bolso. Mesmo sendo fã incondicional dos computadores maiores para diversão e trabalho (para escritores, é o máximo!), com os pequenos não pintou clima. Com isto, lembro dos meus ex-alunos, e peço-lhes desculpas. Tantas vezes eles não entenderam o funcionamento da sintaxe num texto e eu, insistentemente, quis ensinar. Conclusão: quando não há satisfação de uma necessidade, fica difícil aprender algo.
Fora da função precípua, para mim, o celular está na categoria “esqueça sua existência que tudo funciona bem”.

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]