Do Meu Cinicário – Houve gente muito mais sábia do que Albert Einstein, o maior físico do século XX: seus filhos. Filhos sempre sabem mais que os pais.
Recebi, de uma amiga virtual, uma mensagem: “vamos divulgar ao máximo, pelo amor de Deus!”. Era um vídeo, mostrando um cidadão, com o nome de Delegado Xxxxxx.
Estranhei! Mensagens na internete não me comovem. Mas, quando vi a função da figura em questão, um delegado, pensei em algo fazendo periclitar a ordem pública (mesmo sem a gente saber, jamais, o que possa fazer a ordem pública ficar a perigo). Por isso, rolei o vídeo.
Gentem – imitando Cissa Guimarães –, o delegado, deputado, falava de alguma coisa em votação no Congresso. Pelo jeito, a matéria não corria de acordo com os desejos de Sua Excelência. Então, resolveu tocar o terror. A maneira como a mensagem foi apresentada, no vídeo, prenunciava uma hecatombe se algo não fosse feito imediatamente. Porém o “imediatamente” chegou a mim com um ano de atraso. O vídeo fora gravado em novembro de 2016. Pronto, a hecatombe aconteceu ou, de alguma forma, a mensagem alcançara seu objetivo e o amor de Deus dera um jeito.
Dois dias depois desse quase cataclismo, os arautos do apocalipse atacaram novamente. Agora, a mensagem mostrava um “diretor do Fantástico”, zangadíssimo, conclamando a todos – sempre é “todos” – a participar de uma manifestação para mostrar como a população está cansada das tropelias da política. Também esta, me chegou com um ano de atraso.
Esses dois acontecimentos produziram algumas conclusões. Primeira: nossa internete é muito lenta; a tecnologia não funciona; até correio a cavalo é mais rápido nas mensagens; um ano, vejam só! Segunda: quem tem interesse em me convocar para um evento, empregando uma detestável corrente, verifique a defasagem; do contrário, estará pagando um mico sem tamanho, pois concluirei que meus amigos não leem o que compartilham. Terceira: quem quiser me comunicar algo, esqueça as correntes; eu não as levo a sério e delas não participo; jamais passo adiante, principalmente, se nelas houver um espírito de “cada um fazer a sua parte”; já expliquei, ninguém precisa me determinar quais são as minhas partes, ainda mais quando essas partes atendem a interesses de quem está convocando.
Resumindo, tenho consciência de ser, apenas, um entre os 207,6 milhões de brasileiros (IBGE). Como qualquer ser humano, tenho a minha idiossincrasia e, nela, não está inserido levar a sério qualquer convocação do tipo “Eia, pessoal! Vamos fazer uma passeata e mostrar pra eles que nós somos melhores!”.


