Colunas Penso, logo insisto
Esta postagem foi publicada em 26 de junho de 2009 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.

Viva São João

plinio12Do meu “Livro de citações”: Quem mais gosta do dia a dia é o fabricante de calendários.

VIVA SÃO JOÃO

Se um sujeito estivesse caminhando pela rua e, sem ele perceber, sua carteira fosse levada por um desconhecido, que nome vocês dariam a isso? Como? Não ouvi bem! Ah!, chamariam de roubo. Interessante, eu também. Legalmente, no entanto, seria um simples caso de furto. “Simples”, é verdade, se a carteira não fosse a nossa. O fato é que nós, os furtados, ficaríamos p(*) da cara, como se costuma dizer por aí. “Roubo”, para a lei, supõe violência, mas, cá entre nós, não deixa de ser uma violência alguém levar algo seu contra a sua vontade, não é?
Entretanto, a própria lei permite que isso aconteça. E o escandaloso de tudo é que quem mais deveria zelar pelo equilíbrio das relações sociais, o estado, nem sempre age nesse sentido. Querem um exemplo? Pois aí vai: se, por um daqueles incontroláveis acontecimentos econômico-financeiros da vida diária, alguém emitir um cheque sem fundos acima de R$ 100,00 – oh! não se escandalizem, isso não é o fim do mundo – e perder o contato com o credor, não podendo resgatar o documento, será condenado, sem qualquer chance de defesa e sem julgamento, a cinco anos de ostracismo bancário. Simplesmente se fecham todas as possibilidades de operações financeiras em seu nome. Pois é, mas existem soltos nas ruas, tudo dentro dos conformes jurídicos, indivíduos com um, dois, três assassinatos nas costas. Não lhes parece uma violência?
Estou escrevendo no dia de São João. Morei em Olinda, Pernambuco, durante sete meses, tendo chegado àquela cidade num 8 de junho; logo tive contato com uma característica da cultura nordestina: eles, realmente, amam as festas juninas. Dentro do espírito, os grandes centros populacionais aproveitaram para institucionalizar esse amor e passaram a produzir eventos cada vez mais pirotécnicos para atrair turistas e movimentar a economia. É uma alegria só. A gente vê, na televisão, o pessoal se divertindo em Caruaru, Carpina, Olinda, Campina Grande, Feira de Santana…, epa! Feira de Santana? É o lugar onde fui multado durante o carnaval sem nunca ter ido à cidade. Já lhes contei neste espaço. Agora lembro: foi por isto que comecei este texto falando de furtos e roubos.
Na semana passada, recebi correspondência de um cretino do trânsito de lá, informando, oficialmente, que meu recurso contra a multa tinha sido indeferido e que, se eu quisesse levar adiante a minha recusa em pagá-la – vejam minha ousadia –, deveria me queixar para a JARI/SMT, adivinhem de onde. Claro, de Feira de Santana.
Entenderam o problema do furto? Quando menos a gente espera, um larápio nos toma o rico dinheirinho e, no caso de um órgão oficial, se sente no direito de nos mandar procurar o bispo para a queixa.
É, tempo de São João é tempo de quadrilha mesmo. Por via das dúvidas, já estou avisando possíveis testemunhas: não saí de Taquara/Parobé, nem eu nem meu automóvel. Sabe lá se aqueles delinquentes não decidem multar-me outra vez.

Os artigos publicados no site da Rádio Taquara não refletem a opinião da emissora. A divulgação atende ao princípio de valorização do debate público, aberto a todas as correntes de pensamento.
Participe: [email protected]

Leave a Reply