Do meu “Livro de citações” – Jamais subestime a estupidez alheia.
AJUDA INTERNACIONAL
O terremoto no Haiti. Talvez vocês não aguentam mais ler ou ouvir sobre o assunto, já muito abordado pela imprensa. Não é para menos, convenhamos! Desastre dessa magnitude faz a gente botar as barbas de molho. Olhem só o que está à nossa espreita, basta nos descuidarmos. Quer dizer, nem adianta cuidar. Terremotos são, até hoje, absolutamente imprevisíveis.
Desastres naturais, tipo vulcões, tsunâmis (aquele, em 2004, teve cerca de 200.000 mortos e, desabrigados, 1,5 milhão), fazem parte da história do planeta. Pelo jeito, ao homem só resta aceitar sua inevitabilidade. Mas incomodam, isso é verdade. E no rastro do incômodo vem a culpa. Todos somos culpados, segundo o pensamento mundial dominante. Ao ser humano credita-se a responsabilidade por qualquer má ocorrência envolvendo o comportamento da velha e boa Terra. Para muitos, estamos posando de bandidos quando entra em cena o nosso desempenho cósmico. As razões, a crer nos mais afoitos, podem ser, inclusive, os pecados, como escreveu um missionário no jornal de sua religião, referindo-se ao famoso tsunâmi de cinco anos atrás.
Então, mesmo arriscando ser repetitivo por abordar tema bastante comentado, opino sobre ele. Entretanto, meu terremoto é outro e sacudiu o mundo inteiro: o da solidariedade.
Tão logo a notícia do acontecido no Caribe circulou, criou-se uma corrente favorável aos sobreviventes do cataclismo. Nações se prontificaram a levar-lhes víveres, roupas, remédios, dinheiro, pessoal especializado e equipamentos para a procura de sobreviventes. Importantíssimo foi o envio de equipes médicas e hospitais de campanha. Mais do que recuperar cadáveres de debaixo das lajes, um passo fundamental é impedir o crescimento do seu número.
Sei que o centro do sismo foi a região da capital haitiana, conhecida pelo poético nome de Porto Príncipe, mas causou-me desconforto a reportagem da televisão, mostrando praia ao norte do país. Lá, lugar turístico, nada parece ter mudado. Transatlântico fundeado ao largo, visitantes tomando banho em águas mansas, restaurantes cheios, querendo desfrutar as alegrias de um lugar exótico e maravilhoso. Ali, a vida não sofreu alteração.
Porém, envaidecedora, para mim, foi a nossa atitude. O Brasil saiu na frente da operação-socorro, tomando as rédeas para reorganizar um país dilacerado. Além do material de praxe, perdoará a dívida com nosso tesouro e enviará mais soldados, que se juntarão aos já estacionados lá. Afinal, é necessário pôr ordem no lugar onde a bandidagem está podendo.
Finalmente, a última boa notícia é que irão mais médicos e enfermeiros compatriotas para reforçar o trabalho mundial. Muitos – voluntários – estão abrindo mão das férias para aliviar a dor daqueles irmãos. É motivo de verdadeiro regozijo. O mundo se dobra ante nossas qualidades. Não podemos ver o sofrimento: sempre procuramos minorá-lo.
Boa sorte, rapazes e garotas! Vão com Deus. Nas lotadas salas de espera em hospitais e prontos-socorros de toda a nação, um frêmito leva lágrimas de orgulho aos olhos de quem aguarda a vez de ser atendido. Voltem logo!
Esta postagem foi publicada em 29 de janeiro de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.


