Do “Meu livro de citações” – E esses hospitais que têm “caridade” no nome: será que eles a praticam?
TOMA LÁ, DÁ CÁ!
Este texto, apesar do título, não é um comentário ou simples referência ao extinto xou da TV Globo comandado pelo Miguel Falabela. É que, tal qual o programa televisivo, aproveito uma expressão idiomática muito comum entre nós, significando, mais ou menos, “leva o teu, deixa o meu”. No caso da tevê, ainda não captei a relação entre o nome e a comédia, mas, aqui, ele se justifica. Falo da compra e venda de produtos, bens ou serviços.
Pensem mais detidamente. Quando compramos ou contratamos algo, alguém está se comprometendo a nos entregar esse algo, produto ou bem, ou a realizar determinado trabalho em troca do valor combinado. Todos sabem: é assim e nem se discute. Discutimos, isso sim, o valor estabelecido para qualquer das operações mencionadas.
Num filme comercial, tomei conhecimento de um “preço justo” para determinado objeto. Pareceu-me estranho o anunciante apelar para essa chamada, anunciando-a como uma grande vantagem. Quem não quer comprar algo pelo preço justo? Melhor, só se for de graça, tanto que, outra vez, socorro-me de uma expressão idiomática, “de graça até injeção na testa”, para sublinhar o nosso interesse em receber presentes.
Como se define um “preço justo”? São caminhos insondáveis, caríssimos! Na semana passada, por exemplo, precisei adquirir dez monitores para computador a fim de equipar um laboratório de informática. Fiz algumas tomadas de preço. Na primeira, o monitor de 15” estava orçado em R$ 390,00. Porém, se fechasse o negócio naquele dia, o valor baixaria para R$ 370,00. Dois dias depois, um telefonema me informava: o preço havia caído para R$ 360,00. Fui a um segundo fornecedor e sua cotação atingiu R$ 350,00. Vejam, só pela procura, já havia economizado R$ 400,00. Um terceiro e um quarto lojistas não tinham como me atender.
Ainda assim, procurei mais um fornecedor, encontrando um aparelho de 18,5”, por R$ 338,00. A economia atingira R$ 520,00, desconsiderando o tamanho da tela agora maior. Comprei, satisfeito, pronta entrega. Afinal estava gerindo bem o dinheiro.
Só levei um choque quando, na última sexta-feira, noutra loja da mesma rede, encontrei o mesmo monitor por R$ 298,00. Bastava efetuar a compra e aguardar dois dias. Ou seja, entre a primeira e esta última consultas, houve uma diferença de R$ 920,00. Tudo envolvendo um mesmo produto da mesma marca, com aquela diferença favorável de tamanho para mais.
Onde fica o conceito de “preço justo”? Estará algum dos fornecedores pesquisados trabalhando com o firme propósito de ser injusto? Não creio. Creio, sim, na enorme batalha entre compradores e vendedores. Talvez pudesse falar, metaforicamente, em presas e predadores. Não existe um “preço justo” para qualquer coisa. Se fosse verdade, jamais haveria liquidações. Uma simples liquidação, se verdadeira, significa que, até aquele momento, o preço não era nada justo.
A realidade aponta mais para “preço ajustado”. Neste caso, é óbvio, não há porque anunciar. Todo preço é ajustado. Nós só compramos ao sentir que estamos levando vantagem no negócio, ainda que o predad…, digo, vendedor também esteja sentindo o mesmo.
É o legítimo toma lá, da cá.
Esta postagem foi publicada em 26 de fevereiro de 2010 e está arquivada em Colunas, Penso, logo insisto.


