Do “Meu livro de citações”: O Márquetim é a ciência do DEPOIS. Se fosse do ANTES, não haveria tantas campanhas falhas. Só serve para explicar onde foi que erramos.
DEPOIS DO VENDAVAL
Desde a semana passada, estou lendo um livro que, se eu fosse Jânio Quadros, diria ter sido conduzido a ele por forças ocultas. O livro se chama “Jesus para presidente”, do escritor norte-americano Roland Merullo. Em inglês o título é, traduzindo, “Salvador americano”. Mas o título em português é mais óbvio para apresentar a trama. “Salvador” não necessariamente se refere a Cristo; serve para qualquer assunto. Aqui, de saída, somos esclarecidos sobre qual história leremos no livro. A obra estava comigo há uns dois anos, aguardando vaga na lista de leitura (entre outros na mesma situação; leio muito devagar e compro não tão) e só me dei conta da coincidência dos eventos – eleição presidencial – quando já estava a meio caminho.
Por que estou escrevendo isto? Não, não é para tecer qualquer comentário sobre a eleição de Dilma Rousseff para o cargo disputado, embora alguma coisa vá dizer. Escrevo para falar da existência da própria disputa.
Uma eleição é a maneira mais civilizada de se acomodarem os interesses mandões que nós, todos, temos. Alguns de nós fazem qualquer coisa para ser o bam-bam-bam em qualquer lugar. Ainda mais quando esse lugar é o comando de uma nação. Às vezes chegamos à guerra para conseguir isso. Então, criar uma grande ágora é uma resposta, pelo menos, mais pacífica.
A dificuldade é que isso dá uma solução incompleta ao problema. Nelson Rodrigues dizia que toda a unanimidade é burra. Embora eu não concorde, o mais impossível de tudo é conseguir, mesmo aproximadamente, a unanimidade. Ela é um ideal, e aí está o busílis. Às muitas ideias vencedoras se contrapõem pacotes de ideias derrotadas. Um eleito apenas venceu um pequeno torneio, não importa o gigantismo da peleia.
Existe um terceiro nível, além de vencedores e perdedores: quem decidiu não votar. Mesmo com toda a publicidade incentivando o voto, 29.197.152 eleitores (21,50%) optaram pela falta. Um montão de gente! O que falhou? A publicidade? Na realidade, em torno da obrigação legal (você é punido se não votar) criou-se toda uma liturgia ético-moral, jogando-nos na desmoralização se não cumprirmos o “direito”. Mas não adiantou. As autoridades deveriam abrir o olho sobre o recado da abstenção e revisar o quesito de obrigatoriedade numa eleição.
Quanto à presidenta (a palavra está dicionarizada, há bastante tempo), não votei nela e agora devo aceitá-la. E não será como um amigo meu (tenho sim!), importante no PT da região, que na segunda-feira, fez alguma ressalva ao fato de ela ser mulher. Será como governante. Confesso que a prefiro ao atual, para mim nada além de um grande defensor da Lei de Gérson.
“Depois do vendaval” foi um ótimo filme com John Wayne e Maureen O”Hara, de 1952. É hora da bonança.


