Vancarlo André Anacleto, 34 anos, natural de Novo Hamburgo. É casado com Aline Ecker Rissato, 33 anos. Tem dois filhos: Maria Luiza, de cinco anos, e João Pedro, de três meses. Formado pela Universidade de Caxias do Sul (UCS) é juiz de Direito da Comarca de Igrejinha, membro da Comissão de Inovação e Efetividade da Jurisdição da Corregedoria de Justiça, professor da Escola Superior de Magistratura de Porto Alegre e conselheiro editorial da Ajuris.
Conte-nos sobre sua trajetória profissional.
Meu primeiro emprego foi como office boy. Após, trabalhei também, durante um tempo, nos restaurantes que minha família possuía em Caxias do Sul. Já na universidade fiz alguns estágios no Fórum e, com 18 anos, passei no concurso para oficial escrevente. Com 21 anos, me formei em Direito e acabei me exonerando do cargo para poder ir a Porto Alegre a fim de me preparar para o concurso de Magistratura e focar os estudos. Em 1999 assumi o cargo de Juiz de Direito, como titular da Comarca de Cerro Largo. Em 2002, vim para Igrejinha, onde exerço o trabalho em todas as áreas – cível, família, crime, eleitoral – por se tratar de uma vara única.
O que representa para você ser juiz numa cidade como Igrejinha?
Sou muito realizado por aquilo que faço e acredito que seja vocacionado para isso, pois, desde pequeno, ser juiz era meu sonho. Procuro trabalhar com a inovação e, através da Comissão (de Inovação e Efetividade), tenho a oportunidade de desenvolver projetos nesse sentido. É muito importante ver que dá certo e poder contar com o apoio das pessoas e com a melhora do trabalho do Judiciário como um todo.
Qual a importância das ações pioneiras que vêm sendo realizadas na Comarca de Igrejinha, como penhora e leilões on-line, filmagem das audiências e processo virtual?
A principal crítica que recebemos é a questão da demora e da dificuldade de acesso ao Poder Judiciário, principalmente em função das pessoas não entenderem como funciona o trabalho. As ações são importantes porque, além da aproximação com o Poder Judiciário, a sociedade passa a ter um conhecimento melhor do nosso trabalho, bem como ocorre uma maior rapidez na decisão sobre aquele conflito que está sendo colocado na Justiça.
Quais são suas principais características pessoais?
Sou muito inquieto, estou sempre buscando algo diferente, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Procuro ser o mais acessível que posso e valorizo muito a família e os amigos. Sou também imediatista e às vezes impulsivo – não tenho paciência para esperar as coisas acontecerem.
Como conheceu sua esposa e o que mais admira nela?
Nos conhecemos em razão do trabalho (atualmente, ela é juíza de Direito da Comarca de Três Coroas) e o que mais admiro é sua sinceridade, companheirismo e inteligência. Aprendo muito com ela, pois, apesar de ser mais nova na profissão, tem grande capacidade de trabalho. Sempre peço a opinião dela antes de propor os projetos de inovação. Sua participação é fundamental no meu trabalho e na minha vida.
Fale sobre sua participação na comunidade de Igrejinha:
Apesar de morar em Gramado, a distância até aqui é muito pequena e considero importante a participação na comunidade em função da aproximação com a sociedade. Quem está participando dos eventos não sou eu, mas, sim, um representante do Estado. Acredito que um juiz próximo e acessível traz benefícios para todos. Também a utilização de uma linguagem mais simples demonstra que o juiz não está só preocupado com o que faz no Fórum, mas que sabe a importância da sua função dentro do contexto de uma sociedade (com problemas sociais, econômicos, de segurança, educação) os quais, no fim, acabam desembocando no Poder Judiciário. Por isso, considero a participação na comunidade como um trabalho preventivo em cima de muitos problemas que acabariam passando pela Justiça.
Como está sendo a experiência de conciliar o trabalho em Igrejinha com a atividade na Comarca de Três Coroas?
Além de responder pela Comarca de Três Coroas atualmente, em função de minha esposa estar em licença maternidade, já trabalhei lá anteriormente, quando a Comarca foi criada, pois participei de sua instalação no município. É muito bom, gosto muito da cidade. Tanto Três Coroas quanto Igrejinha possuem o envolvimento muito próximo da comunidade com os poderes constituídos. Isso torna o trabalho ainda mais gratificante pois a comunidade tem uma preocupação em compartilhar os problemas e buscar soluções, tem o espírito comunitário, que reflete na sociedade como um todo, o que contribui e facilita o nosso trabalho. A solução é a melhor possível sempre e quem ganha é a população em geral.
O que você gosta de fazer a título de lazer?
Gosto de estar com meus filhos, com a família e amigos. Também costumo correr, jogo padel, faço musculação e sou doente pelo meu time (Grêmio). Gosto muito de ler e de viajar.
O que você mais se preocupa em ensinar aos filhos?
São muitas coisas, mas, basicamente, o respeito às diferenças, o caráter e fazer o bem sempre.
O que o tira do sério: deslealdade e desrespeito com as pessoas.
Quais são seus planos para o futuro?
Pretendo me aperfeiçoar nos estudos através de mestrado e doutorado, ter uma participação mais efetiva junto à Ajuris, conseguir fazer pelo menos uma viagem por ano e tornar a Comarca de Igrejinha modelo para todo o País através do trabalho que realiza.
Deixe uma mensagem aos leitores do jornal: “Procurem viver a vida intensamente, concentrando esforços naquilo que realmente importa, buscando não só o trabalho, mas também uma boa atividade de lazer”.


