Orivaldo Alfredo de Morais, 85 anos, é natural da localidade de Rodeio Bonito (interior de Taquara). É casado com Agalmêndia de Morais, 74. É pai de seis filhos: Ilsa, 56, Nilton, 54, Verônica, 48, Dionísio, 44, Agalmêndia, 43, e Luciano, 35. Tem 11 netos e dois bisnetos. É aposentado, mas continua sendo sócio ativo da empresa DM Soluções Industriais, instalada no bairro Empresa, em Taquara.
Conte-nos sobre sua trajetória profissional
Trabalhei na agricultura até os 38 anos. Em 1960 comecei a trabalhar no comércio, em São Francisco de Paula, onde tinha um armazém. Depois, vim para Taquara, onde comprei um restaurante. Fui vendedor de calçados e me aposentei trabalhando em um açougue.
O que lhe trouxe a Taquara?
O armazém que eu tinha em São Francisco ficava em uma casa alugada. Aí, pediram o imóvel e eu vim para cá, porque era um lugar que oferecia mais emprego.
Você fez parte do CTG “O Fogão Gaúcho”, integrando o conselho da diretoria. Ainda tem algum envolvimento com a entidade tradicionalista?
Gosto demais do CTG e fui conselheiro durante muito tempo. Sempre gostei de sair de bota e bombacha e, desde os 18 anos, me divertia nos bailes, trajado como gaúcho. Eu usava chapéu da bagüalada e um “pingo” bem aparelhado. Participava de tudo o que era atividade, ia nos acampamentos… Hoje, continuo me divertindo nos bailes.
Quais são suas impressões de Taquara?
Nos primeiros anos achei ruim ter que vir morar aqui, mas depois me acostumei, e passei a gostar muito de Taquara. Admiro muito a cidade e desde a década de 70 moro no mesmo lugar.
Você tem alguma receita especial para manter-se saudável e trabalhando, mesmo depois de se aposentar?
Quem quer ter uma vida longa não pode exagerar em nada. Precisa fazer tudo com calma, agir com tranqüilidade sempre e ter uma alimentação saudável, para poder chegar até a minha idade com bastante saúde e alegria. Eu me cuido muito. Na alimentação, é tudo controlado. Como feijão, arroz, um pouco de carne e muita verdura. Não são muitos os que chegam na minha idade assim, sem precisar tomar nenhum tipo de remédio. Caminho um pouco, pois temos que desenvolver as pernas, e não fico parado: capino o arvoredo, planto e colho aipim e abóbora. Estou aqui na empresa de segunda a sexta-feira. A primeira coisa que faço quando chego é um chimarrão. Depois, vou lá no outro prédio e faço um cafezinho para trazer para a turma.
Como conheceu sua esposa e o que mais admira nela?
Nos conhecemos numa serenata, na casa do meu irmão. Ele estava de aniversário e, na colônia, tínhamos o costume de fazer serenata, como uma surpresa para os aniversariantes. Eu a admiro porque sempre foi uma pessoa muito alegre e compreensiva.
Qual era sua maior preocupação na criação dos filhos?
Toda a vida me preocupei em dar boa educação para todos eles. Nenhum dos seis deu trabalho, pois tínhamos aquele sistema antigo de sempre repreender, não batendo, mas explicando o que era bom e o que era ruim. Naquela época os filhos obedeciam os pais, não é como hoje, que eles não respeitam mais. Criar filhos hoje dá mais trabalho.
O que você gosta de fazer nas suas horas vagas?
Gosto de tomar um chimarrão e ir aos bailes do CTG.
Quais são seus planos para o futuro?
Já tenho uma boa casa e fiz tudo o que planejava. De agora em diante é só curtir e continuar vindo na empresa.
Uma habilidade: fazer cortes de carne. O que aprendi no açougue uso até hoje.
Comida favorita: feijão, arroz, massa e carne de panela.
Estilo musical: gosto de música gaúcha.
Deixe uma mensagem aos leitores do jornal: “Me orgulho muito de pertencer a este Rio Grande amado e ao Fogão Gaúcho, que é o segundo CTG mais antigo do Estado. Que, assim como eu, as pessoas saibam valorizar nosso Rio Grande e nossas tradições”.


