Vera Regina da Silva Machado, 45 anos, natural de Novo Hamburgo. É casada com Sergio da Silva Machado e mãe de Rafael da Silva Machado, de 20 anos. Atua com o esposo na vidraçaria Nossa Casa e é uma das líderes do movimento Vida Breve, que luta por melhorias nas condições de segurança da RS-115.
Você sempre atuou no comércio?
Não, trabalhei por 30 anos em fábrica de calçados. Depois, meu marido, eu e meu filho, começamos devagarinho a montar nosso negócio.
Conte-nos sobre seu envolvimento com o movimento Vida Breve.
Sou prima do professor Airton (Schirmer, que perdeu a filha Jhenifer, vítima de um atropelamento na RS-115). Uma semana depois que a Jhenifer faleceu, ele me procurou para fazermos o movimento. O Vida Breve fez com que eu e meu primo nos tornássemos mais amigos, permitindo ver suas emoções diárias, através da luta para tentar ajudar as outras famílias que compartilham a mesma dor dele. O Carlos (Kraemer, atropelado junto com Jhenifer e sobrevivente do acidente) já reconhece minha voz e é incrível o carinho que ele tem. Isso realiza a gente; o sorriso das pessoas, é um retorno muito gratificante.
De que outras formas você se envolve com a comunidade?
Sempre me comuniquei bastante com as pessoas e muito me chamou a atenção quando uma mãe me disse que não havia conseguido uns remédios que o filho precisava. Desde então, procuro ir no Conselho Municipal de Saúde a fim de que a medicação seja liberada e a criança não pare de recebê-la. Também ajudo a encaminhar jovens drogados a internação.
Como você se autodefine?
Às vezes, sou meio teimosa, chorona, e não desisto nunca tanto na vida pessoal quanto para ajudar os outros. Sou também uma pessoa que erra e que acerta e, se por acaso ofender alguém, a primeira coisa que faço é pedir desculpas.
Quais são suas impressões de Taquara?
Não trocaria Taquara por nada. Hoje em dia sou taquarense de coração. Minha mãe era daqui, mas meu pai, de Novo Hamburgo. Quando eu tinha oito anos, viemos morar aqui, onde estamos até hoje. Ultimamente a cidade está unida, todos estão tentando nos ajudar, só as autoridades de fora é que não entenderam ainda a situação do município.
Como conheceu o Sergio e o que mais admira nele?
Nos conhecemos quando ele veio para Taquara, na casa de um irmão e eu estava na casa da minha tia, que era próxima de onde ele estava. Nos tornamos grandes amigos e, dois anos depois, nos casamos. O que mais admiro nele é a paciência que tem comigo.
Qual é a maior preocupação na criação de seu filho?
Tentamos sempre explicar e conversar com ele, mas do que tenho mais medo são as drogas. Às vezes dizem que a culpa é dos pais por não ensinarem os filhos, mas na verdade, nós ensinamos de um jeito e a rua ensina de outro, por mais que possamos alertá-los.
O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Pescar. Nós três adoramos sair para algum lugar e fazer isso. Depois, é trazer os lambaris para casa e fritar.
Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos são de que meu filho possa se formar e que um dia a vida possa ser um pouco melhor, sem tantas dificuldades tanto para mim quanto para todos. Também espero uma solução para a RS-115. Seria uma festa para nós.
Estilo musical: sertanejo.
Prato predileto: comida caseira.
Mania: de ficar enrolando o cabelo, quando estou nervosa.
Habilidade: de lidar com as pessoas.
Um lugar: Taquara.
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