Ruth da Silveira Pires, 67 anos, é natural de Taquara. É viúva e tem dois filhos: Eduardo (48) e Elias (42), e três netos: Eduardo (22), Arthur (19) e Nícolas (6). É cozinheira e ecônoma da Sociedade Carlos Gomes, de Tucanos, que completa 100 anos neste mês.
Conte-nos sobre sua trajetória profissional.
Deixei os estudos para ajudar meus pais a criar os meus irmãos, pois éramos uma família simples. Comecei a trabalhar com 12 anos, numa fábrica de balas aqui em Taquara. Depois que casei, passei a trabalhar com meu marido na oficina da radiadores e baterias e, além disso, fazia tricô por encomenda. Após, minha irmã veio morar aqui na sociedade e eu vim ajudá-la. Foi então que descobri o meu lado de cozinheira. Durante seis anos e meio fui cozinheira e ecônoma da Sociedade Atiradores e, aqui na Carlos Gomes já fazem 27 anos que exerço essa função. Além disso, também abri um restaurante com um dos meus sobrinhos, mas, em função de um problema no meu joelho, optei por continuar apenas em Tucanos.
Fale sobre o seu trabalho na Carlos Gomes no momento em que a sociedade completa seu centenário.
Me sinto lisonjeada e feliz. Adoro a sociedade, para mim é a minha casa. Isto representa tudo de bom que tenho na vida, agradeço a Deus por ter as mãos abençoadas para fazer comida, é um dom que recebi. No dia 10 deste mês, a sociedade completará 100 anos, os quais também fazem parte da história das pessoas, pois elas vêm para comemorar sua formatura, depois o casamento e uma festa sempre traz a outra, de pais, filhos, irmãos, que vemos crescer. Sempre fiz muito baile também, inclusive para times de futebol, como o Medonho, Bitruka e Formigão, e clubes de serviço, como o Rotary.
Como surgiu seu talento na cozinha e qual a diferença entre cozinhar para poucas e para muitas pessoas?
Aprendi por mim mesma, fui me interessando e me aperfeiçoando. O segredo é gostar de fazer, fazer com carinho, com amor. Sempre quero fazer mais e nunca estou satisfeita. Costumo dizer que, tendo amor no coração, não interessa o tamanho da panela.
O que lhe tira do sério: a fofoca.
Cite uma lembrança marcante: receber o diploma de reconhecimento profissional do Rotary Club de Taquara, em 2007. Por ter deixado os estudos, eu fui minha própria professora e me formei na vida.
Quais são suas principais características pessoais?
Gosto muito e é difícil me ver sem estar usando chapéu, lenço ou um boné, um vestido ou saia comprida. Todos me conhecem pelo chapéu. Sou alegre, gosto de dançar e estou sempre à disposição de qualquer pessoa que precise de mim. Meus filhos costumam dizer que sou uma guerreira, pois, além de ter ficado viúva e seguido sozinha aqui na sociedade, enfrentei um câncer de mama e nunca me entreguei. Temos que lutar por aquilo que temos vontade. Tudo dá certo, é só querer.
O que você gosta de fazer em suas horas vagas?
Gosto de ler, fazer tricô e estar em volta do fogão fazendo bolo, pão, cuca. E também estar envolvida com as três coisas que acho mais lindas: flores, crianças e música.
Comida predileta: churrasco.
Habilidade especial: fazer doce.
Um lugar que gostaria de conhecer: Rio de Janeiro.
O que mais lhe preocupou em ensinar aos seus filhos?
A educação, o carinho, a honestidade e religião.
Quais são seus planos para o futuro?
Meus planos são aproveitar o tempo para passear, conhecer outros lugares; aproveitar a vida, já que optei por deixar a sociedade no final do ano. Pretendo também ficar com a minha mãe, dar atenção à ela, pois tê-la com esta idade é muito bom.
Uma mania: estar em volta do fogão.
Quais são suas impressões de Taquara?
Conhecemos todo o mundo. Se tenho dinheiro eu compro, se não, anoto pra pagar outro dia, me dou bem com todo mundo, aqui é bom por causa disso. Uma coisa ruim é que o pessoal não colabora com a limpeza da cidade, não podemos ter uma pracinha para as crianças, pois os vândalos destroem tudo.
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