Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 11 de maio de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Plastificadas

Uma jovem de 21 anos fez três cirurgias (e já pensa em uma quarta) para ter um nariz perfeito, enquanto outra, com apenas 17 anos, exibe seus novos seios com silicone. Uma terceira arrancou algumas costelas para afinar a cintura e se assemelhar à boneca Barbie. A lista de meninas cada vez mais jovens que buscam corpo e rostos perfeitos aumenta a cada dia, proporcionalmente aos casos de depressão dessa gente que não admite envelhecer ou ficar fora dos padrões de beleza pré-estabelecidos pela sociedade em que vivemos.
Imaginem essas criaturinhas, então, quando chegarem aos 40 anos de idade. Provavelmente se matarão de desgosto ou se deformarão em cirurgias plásticas. A terceira alternativa seria envelhecer normalmente, mas isto já é delírio da minha parte. Esqueçam.
Por conta disso, fico chocada ao ver meninas tão jovens, quase crianças, comparando-se com celebridades, modelos e artistas. Pior ainda, querendo ser iguais, literalmente, de corpo e alma. Para mim, ter ídolos era uma coisa saudável, eles nos inspiravam e nos faziam imaginar um mundo de sonho e fantasia, mas sem exageros, sem tirar os pés da realidade, sem a paranoia que se instalou atualmente.
E como nada é perfeito, não há cirurgia plástica que conserte a frustração da pessoa em querer ser o que não é. Pode até arrancar costelas, o nariz, as orelhas e transplantar tudo novinho em folha, sinteticamente. Logo, a ação do tempo voltará a ser implacável e haja botox e silicone para todo mundo.
Talvez uma correção no pensamento, um preenchimento no cérebro e uma cirurgia para retirar o excesso de vaidade que impera por aí possam ajudar como antidepressivos, como fórmula para não envelhecer o espírito, este sim, um jovem eterno para quem sabe viver. Quanto ao corpo, milagres temporários podem retardar ou disfarçar a passagem dos anos, por pouco tempo. A vida passa voando, meninas, e quando se vê já não somos mais as mesmas, nada mais era como antes, ao contrário, pode ser muito melhor, até sem botox, sem silicone e com todas as costelas intactas, por incrível que pareça.

– Roseli Santos –
Jornalista

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