Polícia

Polícia Civil de Três Coroas descobre preso que cumpria pena com nome falso

Homem tinha quatro mandados de prisão e ainda possuía perfil em rede social.

Agentes da Polícia Civil de Três Coras descobriram que um criminoso com quatro mandados de prisão decretados nos três estados do Sul estava cumprindo pena em presídio do Rio Grande do Sul com outro nome, conseguido por meios ilegais. Alexandre Julianote (foto ao lado), 32 anos, nome verdadeiro do acusado natural de Francisco Beltrão (Paraná), estava no Presídio de Charqueadas com o nome falso de Cristiano Pereira, que também é paranaense e esposo de uma prima do criminoso.

De acordo com a Polícia, em 2008, Alexandre obteve êxito em registrar junto ao instituto de identificação do Rio Grande do Sul cadastro criminal de identificação com os dados de Cristiano, conseguindo, inclusive, ter um registro com impressões digitais suas. Em outubro, policiais civis de Três Coroas descobriram, através do Facebook, que Alexandre tinha um perfil com o nome de “Gustavo Pereira Julianote”. Para a polícia, isso evidenciou que ele mantinha uma companheira cujo nome se constatou em pesquisa ser visitante do presidiário “Cristiano Pereira”, que, por sua vez, possuía registrado fotografia junto ao sistema prisional com a face do criminoso foragido Alexandre Julianote.

Em razão de tais fatos, o delegado titular de Três Coroas, Ivanir Luiz Moschen Caliari, instaurou inquérito policial para comprovar a falsidade ideológica cometida por Alexandre. Segundo o delegado, através de perícia que envolveu o Instituto Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul e do Paraná, foi comprovado em laudo que “Cristiano Pereira” realmente se tratava de Alexandre Julianote. Diante disso, o criminoso, que possivelmente ganharia liberdade provisória brevemente, teve outros quatro mandados de prisão vinculados ao seu verdadeiro nome formalizados pela Polícia Civil, unificando-se, assim, os mandados de crimes atribuídos com os dois nomes. Os fatos ainda foram comunicados às Varas de Execuções Criminais, ao Departamento de Identificação, à Superintendência de Serviços Penitenciários (Susepe) e à Penitenciária de Charqueadas, onde Alexandre está preso.

Longa ficha criminal
Segundo a Polícia, a ficha criminal de Alexandre é extensa. No ano de 2004, foi acusado de tentativa de homicídio, em Francisco Beltrão (PR) e assalto em Caçador (SC). Por estes crimes, havia mandados de prisão decretados contra Alexandre, que até hoje não tinham sido cumpridos. Já no Rio Grande do Sul, Alexandre possui dois indiciamentos por assaltos em Canela, no ano de 2006. Em Três Coroas, havia dois mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça pela prática de assaltos a residência e a um estabelecimento comercial, em 2006. Um dos assaltos foi à casa do então sogro de ex-prefeito de Três Coroas. Segundo a Polícia, nestes crimes, Alexandre e seus comparsas utilizaram armamentos pesados, como fuzil.

Em momento posterior, já possuindo registro criminal oficial no Rio Grande do Sul com o nome de Cristiano Pereira, o acusado passou a cometer diversos crimes a partir de 2009, que resultaram em indiciamentos e prisões por prática de tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, em Alvorada e Porto Alegre. A última prisão, que levou o acusado a Charqueadas, foi em Porto Alegre, quando o acusado foi flagrado a bordo de um veículo roubado com placas clonadas e portando munições de uso restrito, inclusive de fuzil, além de miguelitos (pregos utilizados para furar pneus e viabilizar fugas em roubos), o que a polícia classifica como “claro ato preparatório para iminente assalto”.

A Polícia Civil acrescentou que, nesta última prisão, o acusado não usou o nome de “Cristiano Pereira”, mas sim outra identidade. Ou seja, segundo a investigação, Alexandre já buscava uma segunda identificação falsa para que não respondesse pelos diversos crimes vinculados ao seu registro. Nesse caso, o preso foi indicado, também, por formação de quadrilha e uso de documento falso.

Entenda o caso
Alexandre Julianote é paranaense e veio para o Rio Grande do Sul no ano de 2006, estado no qual não possuía prévio registro civil junto ao departamento de identificação. De posse da certidão de nascimento de seu cunhado, Cristiano Pereira, o qual também é paranaense e igualmente não possui prévio registro de identificação no Rio Grande do Sul, foi cadastrado junto a Alexandre um RG Criminal no estado no ano de 2008, com o vínculo de sua foto, características físicas e digitais com o nome, filiação e demais dados constantes na certidão de nascimento de “Cristiano Pereira”. Assim, a partir de 2008, toda vez que tinha suas digitais submetidas a análise no território gaúcho, Alexandre Julianote, já foragido com quatro mandados de prisões decretados em três diferentes estados, não era preso. Além disso, passou a cometer diversos outros crimes com a identificação de “Cristiano Pereira”, tendo sido preso em face de alguns deles, mas sempre obtendo liberdade provisória tempos depois.