
Os pais da pequena Alana Emmanuelly dos Santos Henrique, que nasceu na quinta-feira, dia 13 de junho de 2024, e faleceu 15 horas depois, no Hospital São Francisco de Assis (HSFA), em Parobé, ainda buscam por respostas sobre o que teria acontecido com sua bebê. Eles acusam a casa de saúde de suposta negligência desde o momento em que chegaram ao local, na madrugada daquele dia.
A mãe da bebê, Franciele Freitas dos Santos, e o pai, Ederson de Lima Henrique, resolveram registrar um boletim de ocorrência, na Delegacia de Polícia Civil de Parobé. Segundo Franciele, a família tomou a decisão de registrar o caso, uma semana depois da morte da menina, devido à falta de explicações vindas do hospital para que, segundo ela, ‘eles tomem uma atitude mais rápida’.
A Polícia Civil do município não dá muitas informações sobre o caso. O atual responsável pela DP, delegado Clóvis Nei da Silva, explicou que a investigação está no início e que a Polícia depende de documentos para verificar se ocorreu um crime.
A morte da bebê
Franciele conta que, no dia 13 de junho, a bolsa estourou enquanto ela dormia e que assim que percebeu que a bebê estava prestes a nascer, seu marido a levou ao hospital de Três Coroas, cidade onde fez todo o pré-natal. Já na entrada, Ederson foi orientado a levar a gestante de carro até o hospital de Parobé, que é referência em obstetrícia para o Vale do Paranhana.
A mulher afirma que passou pela triagem por volta das 2h30min daquela madrugada. Pouco depois,
uma obstetra a atendeu, mas segundo a mãe, faltaram exames para verificar se a bebê estava bem. Franciele diz que a médica só fez um exame de toque e saiu. Ela ainda pediu para a obstetra que fosse feita uma cesariana, mas a médica teria alegado que não havia anestesista naquele momento no hospital.
Segundo a mãe, somente quando houve a troca de turno, as 7h da manhã, outro médico apareceu no local onde ela aguardava. Ela disse que, por volta das 9h40min, é que a cesariana foi realizada e o parto foi bem difícil, pois a ‘cabecinha’ da bebê estaria trancada. Ainda conforme Franciele, o médico e a enfermeira, que estavam realizando o parto, teriam pedido para seu marido se retirar da sala. Logo depois, a bebê nasceu, mas a mãe não ouviu ela chorar.
A equipe da casa de saúde decidiu retirar a bebê do local e, horas mais tarde, explicou aos pais que a menina precisava ser transferida de hospital, devido à necessidade de um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal. Porém, não havia leito disponível naquele momento. Mais tarde, eles foram avisados que havia um leito disponível em Passo Fundo.
Entretanto, minutos depois, receberam a notícia da morte da filha. Franciele diz que o médico entrou no quarto e disse que a menina havia passado por duas paradas e que estavam tentando reanimá-la há 30 minutos, mas ela não respondia mais.
Diante do fato, de não ter realizado a cesárea no momento em que a mulher chegou na casa de saúde, já com a bolsa estourada e com contrações, a família aponta suposta negligência contra o hospital e decidiu registrar o caso na polícia. A mãe diz que solicitou o prontuário do caso, mas que o hospital pediu 15 dias para entregar a documentação, período que encerra na próxima segunda-feira (8).
Nota de Esclarecimento do Hospital São Francisco de Assis
O Hospital São Francisco de Assis (HSFA) de Parobé divulgou uma Nota de Esclarecimento sobre o óbito de uma recém-nascida, que teria ocorrido no dia 13 de junho de 2024. Confira, abaixo, na íntegra, a nota divulgada pela casa de saúde:
“Em resposta à matéria divulgada na imprensa no dia 01/07/2024 sobre o óbito de um recém-nascido no Hospital São Francisco de Assis (HSFA), vimos por meio desta esclarecer os seguintes pontos:
Conforme rege a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o hospital não pode divulgar informações sobre pacientes e atendimentos. Esta legislação é um pilar fundamental para garantir a privacidade e a proteção dos dados pessoais de todos os nossos pacientes.
Além disso, o HSFA preza pela ética e sigilo profissional em respeito aos próprios pacientes e suas famílias. Isso significa que não podemos prestar qualquer informação em relação a um caso específico à imprensa ou ao público em geral.
Todas as informações referentes ao caso serão prestadas aos órgãos competentes, conforme forem solicitadas. Garantimos que todas as informações pertinentes estão disponíveis para a família do paciente, assegurando transparência e apoio neste momento difícil.
As condutas do hospital e dos profissionais envolvidos no atendimento são pautadas pela excelência e compromisso com a saúde e bem-estar dos nossos pacientes. Qualquer eventualidade é tratada com a máxima seriedade, assegurando absoluto acesso às informações para as partes privadas envolvidas.
Reiteramos nosso compromisso com a ética, transparência e a privacidade, trabalhando sempre para proporcionar o melhor atendimento possível.“


